A profusão graformórfica da filosofia – alguma bibliografia em português

Às vezes a gente empenha a palavra e o ressarcimento, sem falha, tarda.

Sobre o tema de fulcral importância para a didática da filosofia, por exemplo, esse do título. A ele retorno desde que me foi apresentado – retomada que se deu especialmente nos dois últimos anos, quando me esforcei por incluí-lo como tópico introdutório dos cursos de Análise e redação em filosofia – Ensino Médio (I e II), que leciono na licenciatura da UFRGS. (Em realidade é tópico introdutório de Análise I, pois em Análise II inicio com a discussão mais específica acerca do uso da língua natural em filosofia, tal como sugerida por Gilles-Gaston Granger, seguida de outra sobre o método da/em filosofia.)

Deve estar ainda registrado em algumas das fichas de leitura com as quais Ronai conduzia suas aulas o trecho da resenha de Pursuits of Happiness (de Stanley Cavell), em que Arthur Danto fala da “assombrosa profusão grafomórfica da filosofia” como um problema filosófico de marca maior – pois que metafilosófico por excelência. A tradução que Ronai nos apresentou do trecho da resenha, intitulada “Philosophy and/as film and/as if Philosophy” é de meu agora colega Paulo Faria, e por sua vez está publicada apenas em sua tese de doutorado. Ela também se pode encontrar no item a) desta postagem do blog do Ronai, onde ele faz exatamente montar um breve panorama das ligações entre o tema e a didática da filosofia.

Nos comentários da postagem está informado que eu providenciava então (daí o tardar: já se vão quase cinco anos) uma referência para auxiliar a pensar no tópico desde a nossa língua. Trata-se do último capítulo de Lembrar, Escrever, Esquecer, de Jeanne-Marie Gagnebin. O capítulo, curto e bonito, se chama “As formas literárias da filosofia”. Nele se mostra, por exemplo, que

“(…) podemos determinar três conjuntos de questões que esta auto-reflexão da filosofia sobre seu caráter de linguagem, sobre sua literalidade, levanta. Enumero estes três conjuntos para, depois, retomá-los em detalhe. Há, primeiro, o fato de que, em filosofia, não se trata somente de analisar linguagem, mas, mais precisamente, de analisar textos escritos. Em segundo lugar, a diversidade das formas literárias dos textos filosóficos também indica uma separação entre dois tipos de exercício da filosofia: uma filosofia ligada especificamente ao ensino e uma filosofia como exercício de meditação ou de reflexão, sem relação obrigatória com práticas pedagógicas institucionais. Enfim, em terceiro lugar, a multiplicidade destas formas também in- dica que há várias maneiras possíveis de tentar abordar, em filosofia, aquilo que excede a linguagem racional discursiva [logos), linguagem por excelência da filosofia.” (Gagnebin, 2006, p. 206)

“Podemos estabelecer uma lista provisória de algumas formas literárias em filosofia; perceberemos, então, que estas formas são ligadas a dois fatores principais: a épocas históricas precisas e à separação entre Schulpbilosophie e Weltphilosopbie. Hoje, ninguém mais escreve uma summa formada por uma série de questiones; antes de Montaigne, não parece ter havido necessidade de escrever ensaios. O ensino e o aprendizado acadêmicos da filosofia passam pela redação de monografias, trabalhos, dissertações, teses, apostilas, aulas, resumos, lições e manuais cujas regras científicas estritas acarretam conseqüências estilísticas e literárias específicas. Não se usam citações, por exemplo, da mesma maneira numa dissertação de mestrado, restrita ao rastreamento claro de uma temática bem definida, exercício típico de Schulphilosophie, ou num ensaio mais amplo, obra de maturidade de um pensador singular, meditação própria de Weltphilosopbie. Não há o mesmo tipo de argumentação nas Confissões de Santo Agostinho, na Crítica da razão pura ou em Além do bem e do mal — e isso não só porque Agostinho, Kant e Nietzsche são três pensadores individuais diferentes, mas também porque as formas literárias confessional, sistemática e aforística implicam exigências específicas. Como entender, por exemplo, o florescimento do gênero “diálogo” ou “carta” na Antigüidade, sua transformação no Renascimento e seu quase completo desaparecimento na filosofia contemporânea? Podemos observar igualmente que, no interior da obra de um mesmo filósofo, a passagem de uma forma para outra também assinala transformações nada acidentais do pensamento: o Wittgenstein do Tractatus e o Wittgenstein das Investigações filosóficas é o mesmo pensador em termos de pessoa individual, mas não é o mesmo pensador em termos de concepção filosófica. Enfim, uma reflexão mais apurada sobre a historicidade das formas literárias da filosofia nos ajuda a compreender melhor a historicidade da própria filosofia, este estranho exercício em torno de algumas questões e de alguns conceitos, sempre retomados e recolocados, sempre deslocados e reinventados.” (op. cit., p. 207-08)

Vale observar que o tema também aparece tematizado no terceiro capítulo do livro de Danilo Marcondes e Irley Franco, A filosofia: O que é? Para que serve? – embora de modo distinto, mais sinóptico do que na (originalmente) palestra de Gagnebin.

Pois ao trazer esta referência a público, relacionando-a, ainda que superficialmente, ao ensino de filosofia, não somente quito a dívida como oferto um regalo, assim como para agradecer a paciência.

É que me chegou às mãos há duas semanas a tradução que o professor Rodrigo Duarte elaborou para The Philosophical Disenfranchisement of Art, de A. Danto. Publicado pela colação Filô, da Autêntica, O descredenciamento filosófico da arte contem dois capítulos sobre filosofia e literatura. O primeiro deles, “Filosofia como/e/da literatura” (proferida como conferência em 1983), contém uma refazenda da lista que Danto oferecera um ano antes, na resenha do livro de Cavell, dos estilos ou formas literárias da filosofia. O texto é tão bom que não consigo transcrever somente a referida refazenda. Me parece oportuno deixar também os parágrafos iniciais ao leitor, como um convite para ler o texto todo. Vai assim a abertura:

“Nossa disciplina parece um híbrido tão singular de arte e ciência que é um pouco surpreendente que apenas recentemente tenha parecido se tornar imperativo para alguns que a filosofia seja vista como literatura: surpreendente e um pouco alarmante. Obviamente, tanta coisa tem sido credenciada como literatura nos tempos recentes que teria sido inevitável que os teóricos da literatura devessem se voltar das tiras cômicas, revistas de cinema, romances descartáveis – de ficção científica, pornografia e grafitti – para os textos de filosofia, isso em virtude de uma concepção de texto vastamente ampliada, a qual nos habilita a aplicar as estratégias da interpretação hermenêutica a passagens de ônibus e tickets de bagagem, anúncios de classificados e boletins meteorológicos, róis de lavanderia e cancelamentos de postagem, cadernetas de poupança e catálogos de endereços, prescrições médicas, receitas de bolos, latas de azeite e rótulos de conhaque – então por que não meditações, investigações e críticas? Certamente este não é o sentido enfático de literatura que temos em mente ao falar da filosofia como uma arte, mas, mesmo que retenhamos as conotações normativas do termo, há algo perturbador no fato de que essa faceta particular da filosofia devesse agora se tornar visível de tal modo que nos fosse imposto tratar de seus textos como um gênero literário particular. Porque, afinal de contas, os imperativos que governaram a transformação da filosofia em profissão usaram as ciências para dar destaque à nossa comunidade. Se houvesse um tipo de igualitarismo semiótico nos levando a considerar como textos desse tipo os artigos que aparecem regularmente na Physical Review, sua dimensão literária certamente pareceria profundamente secundária, assim como a nossa sempre pareceu para nós mesmos; assim, trata-la repentinamente como primária deve ser desconcertante.

A filosofia-como-literatura possui implicações para além da afirmação de que os textos filosóficos têm ocasionalmente certo grau de mérito literário. Temos a remota satisfação de que alguns de nós – Strawson, Ryle ou Quine, para não dizer Santayana, Russell e James – escrevem uma prosa notável, e todos consideraríamos astuto um professor de inglês que tomasse páginas de qualquer um deles como paradigmas de composição. Mas nossa tendência é considerar o estilo, exceto na medida em que ele aprimora a clareza, como adventício e supérfluo para aquilo em benefício do que abordamos, em última análise, esses textos: como mera Farbung, para usar o termo pejorativo de Frege. Então, girar esse textos de modo que as facetas secundárias capturem a luz do interesse intelectual obscurece o que consideramos facetas primárias; e aquiescer ao conceito da filosofia-como-literatura logo agora parece tacitamente aquiescer à visão de que os austeros imperativos da filosofia-como-ciência perderam sua energia. […] Mas a perspectiva da filosofia-como-literatura é uma questão desconfortável com a qual temos de lidar, independentemente de[ssas] violações não-edificantes.” (Danto, 2014, p. 174-5)

Após explorar uma analogia da filosofia-como-literatura com a bíblia-como-literatura, Danto afirma:

“(…) boa parte dos escritos sobre Descartes tem como objetivo fustigar sua argumentação em notas que – temos certeza – ele teria adotado se tivesse vivido para apreciar suas vantagens, já que agora é tão claro onde ele errou. Mas em ambos os casos [1] poderíamos pelo menos questionar se aquilo a que cada escritor se propõe pode ser tão facilmente separado das formas aparentemente inevitáveis de se apresentar a obra, de modo que o diálogo ou a meditação aplainada em prosa periodista convencional pudesse não ter perdido no processo algo central para esses modos de escrita. A forma como a verdade, tal como eles a entenderam, deve ser compreendida, poderia requerer justamente uma forma de leitura, portanto um tipo de relação com aqueles textos, totalmente diferentes daqueles apropriados para um artigo (…). E isso porque se tenciona que aconteça para o leitor algo que seja diferente de ser informado, ou um acréscimo a isso. Afinal de contas, não é simplesmente que os textos podem perder algo quando aplainados em artigos: a vida pode ter perdido algo a partir do momento em que a filosofia é totalmente aplainada para a produção e transmissão de artigos, por mais nobre que a visão que lhes é correlativa seja. Desse modo, abordar a filosofia como literatura não significa estultificar a aspiração pela verdade filosófica, mas sim propor um caveat contra um conceito reduzido de leitura, exatamente porque descobrimos que há mais coisas envolvidas, mesmo na filosofia analítica contemporânea, além de meramente afirmar a verdade: chegar àquele tipo de verdade envolve uma transformação do público e a aquiescência em certa forma de iniciação e de vida.” (op.cit. p. 178-9)

[1] “Ambos” porque ele há pouco se referira a Platão e a certas leituras dos diálogos que parecem indicar que foram escritos para que os comentássemos em artigos de revistas acadêmico-científicas.

A passagem na qual a lista elaborada anteriormente é revisitada está na página seguinte:

“Não consigo pensar num campo de escrita tão fértil como a filosofia tem sido em gerar formas de expressão literária, porque a nossa é para usar uma lista parcial em que me aventurei uma vez – uma história de diálogos, notas de leitura, fragmentos, poemas, exames, ensaios, aforismos, meditações, discursos, hinos, críticas, cartas, sumas, enciclopédias, testamentos, comentários, investigações, tratados, Vorselungen, Aufbauen, prolegômenos, parerga, pensées, sermões, suplementos, confissões, sentenças, perquirições, diários, panoramas, esboços, livros cotidianos e, para ser autorreferencial, pronunciamentos e inúmeras formas que não têm identidade genérica ou que constituem elas próprias gêneros distintos: Holzwege, Gramatologias, Pós-Escritos Não Científicos, Genealogias, Histórias Naturais, Fenomenologias e o que quer que O mundo como vontade e representação seja, ou o corpus póstumo de Husserl, ou os escritos tardios de Derrida e excluídos os tipos padrão das formas literárias – por exemplo romances peças ou coisa parecida, para as quais se voltaram os filósofos quando dotados para tal.” (op.cit. p. 179)

Se Ronai escreveu aquela postagem há alguns anos atrás para não esquecer da importância do tema, cá estou para dizer que de minha parte não só não esqueci como quero seguir lembrando e escrevendo sobre.

Daqui a alguns dias, por exemplo, vou finalizar um texto sobre leitura de diálogos platônicos como estratégia didático-filosófica e nele aparecerá, como pressuposto da discussão, o problema dos critérios que empregamos na escolha dos textos a serem trabalhados no ensino médio diante da vida efusivamente polimórfica da literatura filosófica. Penhoro novamente a palavra: assim que o texto estiver pronto para publicação, mostro aqui.

Real (Real Gabinete Português de Leitura.

Rio de Janeiro, Primavera de 2013.)

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2 comentários sobre “A profusão graformórfica da filosofia – alguma bibliografia em português

  1. Gisele. O tema de como escrever filosofia sempre me interessou muito. Deste minha diss de mestrado fui fascinado por formas diversas e mais literárias de se expressar em filosofia. Mas com o tempo as exigências acadêmicas foram me fazendo ver que se queremos realmente nos fazer compreendidos temos que falar e escrever de forma clara e fazer com que os alunos sejam exercitados nisso. Aforismos, ensaistica, diálogo, romance, dramas são coisas para os ja’ iniciados.
    Se nossos alunos não souberem expressar-se em português, não me parece produtivo querer apresentar-lhes essas formas. Dizer que elas existem e’ bom, mas querer que eles as imitem pode levar adolescentes a obscuridade do pensamento.
    Por isso diria que certos textos de autores como Hegel, Marx, Schelling, Fichte, Heidegger, Nietzsche, Sartre, Husserl não poderiam ser usados nas aulas, nem em manuais, talvez.

  2. Olá Ricardo. Tudo bem?

    Ao ler teu comentário não pude deixar de lembrar de algo que Russell afirma em *Educação e vida perfeita*: “O que tem valor é a familiaridade com certos exemplos de boa literatura – familiaridade com o estilo não só de escrever como de pensar.”

    Ora, uma vez que a filosofia se efetiva em profusão de formas literárias, que valor tem uma iniciação do seu estudo que se prenda, pra lembrar uma imagem de Tugendhat, no espartilho de uma forma de escrita?

    Veja, não é que eu não concorde contigo no seguinte: prezamos pela preservação do bom uso da língua nas lidas filosóficas (sejam acadêmicas ou não). Em função disso é que me parece digno o esforço em apresentar amostras de bons usos a nossos alunos. Estas amostras, entretanto, não se reduzem a um estilo ou forma – como pareces sugerir ao sublinhar a virtude da clareza. Não vejo razão para iniciar alguém no universo da filosofia por intermédio exclusivo de um determinado tipo/estilo de texto (Qual seria o critério de escolha? O que é um texto claro? Que tipo de formato seria o mais indicado? O artigo científico? Textos sobre textos clássicos? Textos de divulgação filosófica? O que é um bom manual? Etc., etc..)

    Ainda me parece confusa, em tua intervenção, a ideia de que ao oferecer amostras dos variados estilos de escrita filosófica a nossos alunos estaríamos também sugerindo que escrevessem da mesma forma, que eles as “imitassem”. Em minhas aulas de *Análise e redação em filosofia* primo sobretudo pelo exercício de escrita das seguintes modalidades: fichamento, explicação, comentário, resenha, redação argumentativa/dissertativa – sobre, de, a partir de textos os mais variados (diálogos platônicos, excertos de tratados, parágrafos de dissertações, capítulos de livros, artigos inteiros de filósofos contemporâneos…).
    Todas as modalidades de redação que exercito com os estudantes compõem o universo da *Schulphilosophie*, mas são textos sobre textos produzidos neste universo e no da *Weltphiolosophie*. Apenas no final de *Análise II* é que solicito algo mais próximo de um ensaio, e nem sempre chegamos lá justamente porque para desenvolver as capacidades de exame e redação de texto filosófico estamos sempre reescrevendo os textos, recorrigindo, comentando as coisas mais ou menos miúdas em cada um dos trabalhos que eles me entregam… Agora, vê que interessante: há alguns dias, quando solicitei a primeira redação da disciplina, o único que exigi no enunciado foi que os alunos comparassem os textos de Gagnebin e Marcondes & Franco, tentando responder em seus textos algumas perguntas-guia (delimitei apenas o número de páginas). Qual não foi minha surpresa ao me deparar com um poema! O aluno respondeu excelente e articuladamente a todas as perguntas-guia, fez rima, piada e *mostrou (não disse)* que entendeu perfeitamente o que estava em jogo no “diálogo” entre os dois textos: que em filosofia a forma e o conteúdo da escrita são indissociáveis.

    O que eu quero com este exemplo da minha disciplina de *Análise e redação* (tanto o modo como a conduzo quanto o caso do poema comparativo-filosófico do meu aluno) é indicar que que se espremermos a iniciação de nossos estudantes em um formato de texto corremos o risco de deixa-los abandonados, despreparados diante de tamanho e complexo problema metafilosófico que é este da variedade literária da filosofia. Isso a meu ver é como priva-los do direito de se dar conta de que isso que fazemos, por maiores que sejam nossas boas intenções didáticas, não tem critério de ferro. Só por isso estamos desde que nos inventamos discutindo sobre a natureza do que fazemos, não? O texto de Danto que cito na postagem é muito bom para avançarmos nesta discussão.

    Ah, sim, ainda uma observação: estou falando de alunos de graduação em filosofia. Para o caso de alunos de ensino médio, entretanto, não penso muito diferente. E isso porque se, justamente, formos capaz de formar professores que podem transitar por diversas modalidades de texto com alguma segurança (é assim que eu leio os documentos do MEC quando afirmam que nossos alunos de graduação tem que ter uma sólida formação em história da filosofia) confio em que eles saberão criar situações didáticas as mais diversas e nas quais faça pleno sentido dar mostras textos clássicos. Dependendo do problema conceitual que está sendo trabalhado pode fazer mais ou menos sentido trazer para a sala de aula um conto de Sartre, um aforismo de Nietzsche, uma meditação cartesiana, um ensaio de Montaigne, um diálogo platônico, e por aí…

    Quer dizer, para não me estender demais: discordo cordialmente de tua opinião sobre como lidar com o problema da profusão com estudantes de graduação, sobretudo por conta da confusão entre dar amostras dela e induzir sua imitação. Mas também porque concordo com Russell – mesmo que ele não esteja se referindo ao ensino de filosofia, mas de literatura – sobre o valor do contato com os textos eles mesmos. Certamente não se trata de uma empreitada fácil esta de ser como um caixeiro-viajante com boas amostras de texto em sua mala. À certa monocromia prefiro a mixórdia. Abraço!

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