Nova política de formação docente do MEC, e um edital

Na efeméride “Dia do Professor” o ministro Mendonça Filho havia anunciado que em alguns dias o MEC lançaria uma nova política de formação docente, o Programa Nacional de Residência Pedagógica. Ele também diz, no vídeo, outras coisas que se não são propriamente falsas, são ao menos altamente contestáveis.

Ontem, dia 18 de outubro o MEC apresentou a Política Nacional de Formação de Professores com Residência Pedagógica.

Como eu havia antecipado ao final desta postagem, a existência do Programa de Residência Pedagógica interferirá na existência do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, o querido PIBID – possivelmente “modernizando” o atual formato do Programa. Ainda não se tem detalhes sobre como esta transformação ocorrerá, nem sobre a Base Nacional Docente – que, imagino, deve estabelecer mínimos curriculares comuns para todos os cursos de licenciatura – mas é certo que já muitos de nós demonizam todas e cada uma das partes da iniciativa, por ter sido proposta pelo atual governo, cujas políticas (esta, por exemplo) não foram aprovadas pelo voto popular.

Há, certamente, muitos problemas que precisam ser discutidos e enfrentados. Para tal, entretanto, não me parece produtivo “dar murro em ponta de faca”, como se diz no interior do Rio Grande do Sul, insistindo em chorar pelas pedagogias derramadas sem um pingo de autocrítica sobre como os projetos (PIBID, mas não apenas) estavam sendo levados a cabo em cada IES. (Há muitos lugares em que as bolsas PIBID são meras ajudas de custo para universitários que não têm interesse em lecionar – nem os projetos conseguem despertar neles este interesse -, há muitos lugares em que não há qualquer avaliação adequada dos trabalhos realizados, e há muitas instituições que estão preocupadas em derivar da execução de seus PIBID publicações para a engorda de Lattes, e não para auxiliar os professores e gestores das escolas públicas a melhorar suas práticas.)

Um problema imediato é o seguinte: como ficam as reformas dos currículos das licenciaturas, realizadas e/ou em andamento, induzidas por esta eesolução do CNE? Devem ser suspensas, esperar pela tal Base Nacional Docente?

Muitos medos surgem, como os que se relevam nas perguntas: O antigo magistério retornará? (Isso é bom ou ruim?) Quais são tais “instituições formadoras” (fundações privadas incluem-se aí)? Seremos, professores das licenciaturas, substituídos por tutores de educação à distância? Sobrecarregados com a orientação de alunos residentes? Trata-se de um modo de baratear custos com salários de professores?

A ver.

Quiçá sem temer?

***

Em outra nota, uma oportunidade: a Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP de Marília abriu edital para seleção de bolsista de Pós-Doc (PNPD). As linhas de pesquisa são as seguintes:

Linha 01 – Psicologia da Educação: Processos Educativos e Desenvolvimento Humano

Estudos e pesquisas sobre ensino-aprendizagem, desenvolvimento humano, vulnerabilidades, processos educativos e de avaliação, formação de educadores e profissionais, nas perspectivas da Psicologia e Epistemologia Genética, da Neuropsicologia, da Psicologia Cognitiva e Comportamental.

Linha 02 – Educação Especial 

A linha desenvolve pesquisas sobre questões que emergem na construção da educação inclusiva capaz de acolher alunato com ampla diversidade, com destaque para as diferenças decorrentes de alterações morfofisiológicas e as de natureza psicossocial e etnocultural. O equacionamento educacional dessas diferenças demanda a construção de fundamentos e conhecimentos, bem como o desenvolvimento de procedimentos e recursos – humanos e materiais – visando à provisão de serviços adequados para todos aqueles que, por meio de recursos convencionais, teriam dificuldades ou impedimentos para ter acesso à educação de qualidade.

Linha 03 – Teoria e Práticas Pedagógicas

Estudos teóricos e análise das práticas pedagógicas relacionadas com as diversas áreas do currículo da educação básica e superior, em especial com a Didática, a Metodologia, a Psicologia, a Linguística e as políticas educacionais no Brasil.

Linha 04 – Políticas Educacionais, Gestão de Sistemas e Organizações, Trabalho e Movimentos Sociais

A linha contempla  estudos e análises das políticas públicas e educacionais do Estado e de outros agentes sociais nos âmbitos nacional e internacional. Analisa teorias e práticas da administração, da avaliação educacional e da gestão, bem como a imbricação entre educação e trabalho,  a educação nos movimentos sociais, relações de gênero, direitos humanos e etnia na escola e em outros setores da sociedade.

Linha 05 – Filosofia e História da Educação no Brasil

A linha desenvolve estudos sobre a educação e o ensino dos pontos de vista filosófico e histórico. Do ponto de vista filosófico, privilegia a abordagem do problema da formação humana e as questões relativas ao ensino, em suas dimensões epistemológicas, éticas, políticas, estéticas e comunicativas. Na abordagem histórica, privilegia investigações sobre as Instituições Escolares, a Formação e a Profissão Docente e o Ensino de Língua e Literatura, inclusive alfabetização e letramento.

 

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De crítica e dogma na e sobre a escola

O momento, sabemos, não anda bom para ninguém, não sendo diferente para o Patrono da Educação Brasileira, ameaçado pelo clima odioso do Brasil pós-golpe. Aqui se pode acessar o site onde se encontra o Manifesto em Defesa de Paulo Freire, um contraponto à proposta, que já tramita como sugestão na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, de retirar-lhe o título patronal.

Desde a mesa de debate sobre o Quando ninguém educa – questionando Paulo Freire na UFSM, sobre a qual falei ao final desta postagem, tenho pensado – sobretudo dado o teor das respostas que o Professor Ronai elaborou para as diversas perguntes realizadas, por seis debatedores – que o importante agora é tentar  equilibrar a necessária defesa de Paulo Freire, o educador das massas, o inspirador de tantas autonomias e esperanças, com o necessário burilar das teorias de Paulo Freire, o teórico da educação – para que assim possamos salvar o que merece ser salvo tanto em sua bio quanto em sua bibliografia. E, claro, defende-lo do melhor modo possível.

Certamente não se pode (ao menos tal como entendo a tarefa da filosofia), sob pena de puro dogmatismo, defende-lo sem te-lo lido, nem ser ter conhecimento de sua atuação política em prol da autonomização das classes populares em termos educacionais e, logo, humanos. Mas isso qualquer bom leitor de QNE sabe que não é o caso neste livro (ao contrário de outros, oportunistas, sobre os quais nem me informei direito, mas que sei que circulam pelas redes). Não há como defender a escola, lugar privilegiado de agenciamentos de/entre saber e sentir, colocando para debaixo do tapete, seletivamente, algumas das causas de seu fracasso.

Sem mais delongas, deixo aqui um trecho da estréia do Professor Ronai como autor no blog da Editora Contexto, pela qual foi publicado seu QNE:

A crise segue. Sobram indícios objetivos de nosso zelo para com os estudos de fundamentos da educação e nosso descuido com a formação profissional específica. Em 2009, um estudo publicado pela Fundação Carlos Chagas deu conta de que apenas 28% das disciplinas dos cursos de Pedagogia se referem à formação profissional específica – 20,5% a metodologias e práticas de ensino e 7,5% a conteúdos. (Gatti e Nunes, 2009).

Existem muitos outros aspectos a ser considerados aqui, e que explorei no livro. Deixo então de seguir nessa linha para me concentrar em um ponto central e convergente. Vou dizer isso da forma mais direta e clara possível: contrariamente ao que foi dito e repetido durante muito tempo, a escola simplesmente não é, em primeiro lugar, um espaço de disputa política e ideológica; a escola não é, em primeiro lugar, um espaço de lutas sociais.

É preciso falar sobre o que a escola é em segundo ou terceiro lugar? Por certo. Que a escola seja, em certas condições e sob certo ponto de vista, um lugar de disputas políticas e sociais, quem há de negar? Mas é preciso ficar claro que há uma lamentável confusão (e um gigantesco abismo) entre falar sobre a escola em terceira pessoa e colocar-se na perspectiva da primeira pessoa.

Em terceira pessoa, falamos da escola tentando descrevê-la como um objeto: institucional, social, psicológico, antropológico, político, legal etc. Para isso precisamos de distância e alguma perspectiva teórica. Houve um tempo em que se pensou, nas humanidades, que o continente da história e da sociedade havia finalmente sido descoberto; que, finalmente, uma ciência da história e da sociedade estava ao alcance, que havia um “pensar certo” sobre todas essas coisas, como Paulo Freire deixa claro no derradeiro capítulo da Pedagogia do Oprimido, quando subscreve Que Fazer:  sem teoria revolucionária não pode haver movimento revolucionário. O ditado de Lênin não apenas cria uma assimetria entre o detentor da teoria e seu objeto, mas transforma esse objeto em um “ele”, um tema de discussão distante de nós, que temos a teoria. Essa perspectiva de terceira pessoa, que objetifica o que vê, é necessária e adequada, em muitas circunstâncias, mas não em todas. Frequentemente precisamos descrever um fato, contar o que alguém nos disse, relatar o que lemos em um livro. Nessas horas, o que vale é uma moral intelectual de objetividade; não podemos incluir na descrição o que não vimos, atribuir ao outro coisas que ele não disse, relatar algo que não está no livro. Não há nada de errado com a perspectiva de terceira pessoa. A criança e o professor, no entanto, entram na escola, em primeiro lugar, em primeira pessoa. Essa distinção é fundamental e, a meu juízo, tem sido objeto de um desequilíbrio crescente.

A íntegra do texto pode ser lida aqui.

Alguém para a crítica?

Encontros, chamadas etc..

Esta é semana do Salão UFRGS, na qual também ocorre a Semana Acadêmica de Filosofia, cuja programação pode ser acessada no site do Departamento.

Destaco que a oficina oferecida nesta edição do evento – Argumentar e lutar: lógica,  filosofia e combate à opressão – será ministrada por duas alunas da Licenciatura em Filosofia da UFRGS, com base em uma experiência vivenciada por elas como bolsistas do PIBID Filosofia UFRGS durante o período de ocupações das escolas no ano passado.

Tratou-se uma uma oficina de Feminismo e Lógica (sim, é isso mesmo), que vai ser relatada, e a partir da qual Márcia Laux e Rafaela Nunes proporão reflexões sobre como a experiência pode servir de inspiração para outros trabalhos didático-filosóficos relacionando a aprendizagem da lógica (em sentido amplo, tal como procuro distinguir aqui) com temas de fundamental importância, como as disputas por reconhecimento e lutas contra opressões as mais diversas. As alunas, vale notar, tiveram trabalhos sobre esta experiência aceitos em dois eventos: o IV Encontro do GT da ANPOF Filosofar e Ensinar a Filosofar e o XX Encuentro Internacional de Didáctica de la Lógica. Para quem tem curiosidade sobre o tipo de relação entre lógica e feminismo que está sendo proposto, este link fornece um exemplo os argumentos de Mary Wolstonecraft pelos direitos das mulheres em “A Vindication of the Rights of Woman”.

Varia

Foi publicado o edital de seleção para o Curso de Especialização em Ensino de Filosofia da UFPel. Confira aqui.

A Revista Refilo está recebendo artigos para seu próximo número até o dia 30 de novembro.

O MEC disponibilizou 62 títulos da Coleção Educadores, sobre a qual:

“As obras são dirigidas aos professores da educação básica e às instituições de educação superior que atuam na formação de docentes, mas o acesso é livre no portal. Paulo Freire, Anísio Teixeira, Jean Piaget e Antônio Gramsci, dentre outros, fazem parte da Coleção Educadores. Integram a coleção 31 autores brasileiros, 30 pensadores estrangeiros e um livro com os manifestos Pioneiros da Educação Nova, escrito em 1932, e dos Educadores, de 1959.”

Li uma notícia que me fez pensar em como pode ser nefasta, por superficialidade, a inclusão da Filosofia em processos seletivos, como o ENEM.

Aqui se pode ler uma matéria sobre os movimentos de ocupação nas escolas secundaristas argentinas, contras as reformas lá propostas. Aqui, um texto sobre a reforma do Ensino Médio brasileiro, ou a suposta liberdade que ela possibilitará aos alunos. Aqui um texto em inglês sobre a imaturidade dos jovens para escolher cursos superiores.

Ainda sobre a decisão do STF sobre o ensino religioso nas escolas públicas, seus impactos na organização escolar, leia-se aqui.

A Sociedade Brasileira de Física, elaborou um manifesto acerca das ameaças ao ensino de ciências através de projetos como o ESP – chama-se Manifesto em Favor de um Ensino Pleno sem Restrições de Conhecimento ou Liberdade de Expressão.

Também sobre os perigos do obscurantismo de nossos tempos no ambiente escolar, Eliane Brum escreveu sobre a “Escola sem Pinto”.

Foi publicado um volume especial de Textbooks in Language Sciences, chamado A aquisição de língua materna e não materna: Questões gerais e dados do Português. O material pode ser baixado aqui.

Saiu um livro sobre as famigeradas avaliações/testes em grande escala, de autoria de Daniel Koretz, The Testing Charade – Pretending to Make Schools Better.

Está no ar o primeiro volume do Journal of Didactics of Philosophy, que pode ser baixado no site da revista.

O novo número da revista Philosophy Now é sobre “Socrates, Plato and Modern Life”, e tem artigos muito interessantes sobre a atualidade desses antigos.

Recentemente descobri este Centro de Pesquisas Interdisciplinares que existe na França, no qual há um curso de formação em filosofia prática da educação e da formação.

O currículo deveria ser jogado como um jogo?

O que dizer deste texto sobre “coaching” de novos professores?

Sobre a diminuição do abismo entre ensino formal e informal, aprendizagem baseada em projetos etc., um texto (algo superficial) aqui.

Aqui, uma seleção do jornal The Guardian de textos sobre docência.

Aqui um texto sobre inovações pedagógicas e suas consequências para o ensino superior.

Aqui, um link para o volume 35, n. 3 da Revista Teorema, sobre os debates recentes acerca do que se aprende por meio da ficção.

Saiu um número novo da Revista Docência do Ensino Superior, cujo editorial inicia assim:

“Qual é o papel dos estudantes no processo de ensino-aprendizagem? São eles protagonistas ou apenas receptores de conhecimentos pré-moldados? E qual é o papel dos docentes nesse processo? Cabe a eles apenas a verbalização de conteúdos ou podem ser eles também agentes de inovação, ques onamentos e mudanças? Este número da Revista Docência do Ensino Superior espera favorecer a reflexão sobre essas questões, a começar pela provocação da capa.”

 

 

Links, livros, eventos

Mais uma postagem com links para livros, eventos e notícias.

Começo por uma das piores, que foi a decisão do Supremo Tribunal Federal (tomada ontem, 27/09/2017) de permitir o ensino religioso confessional em escolas públicas brasileiras. (Para quem acha que, por ser facultativo o ensino religioso, nossas crianças estarão de algum modo protegidas dos perigos que esta decisão envolve, só posso dizer que abra os olhos para a atmosfera odiosa e intolerante que vem de adensando por todos os lados – incluindo-se projetos perigosos de perseguição a professores nas escolas -, e pense que os recursos públicos limitados pela “PEC dos gastos” só farão piorar as coisas em todas as frentes de proteção social, nas “reformas do ensino” que estão sendo impostas pelos usurpadores. Ver o copo meio cheio nessas horas é muito otimismo.)

Falando em reformas, aqui se pode acessar o livro de Anais do I Encontro Internacional da Rede Escola Pública e Universidade, Reformas de ensino e movimentos de resistência: Diálogos entre Brasil e América Latina, realizado no Brasil em maio deste ano.

Sobre a reforma, andei lendo que a ministra da educação declarou que a BNCC do Médio será dividida em áreas, não disciplinas. (Uma avaliação da “reforma”, que enfatiza somente a necessidade de esforço por parte dos estudantes e nada diz sobre a perversidade envolvida neste processo pode ser escutada aqui.) O documento está previsto para novembro, mas já ouvi dizer/li em algum link que se perdeu que pensam em transferir sua data de entrega ao Conselho Nacional de Educação em abril de 2018. Enquanto isso, as licenciaturas aguardam notícias sobre as reformulações de seus currículos, que era para estar amarrada à base e o PIBID, pelo que se tem dito, sofrerá modificações.

Sobre a BNCC para o ensino fundamental, e sua desarticulação com o Plano Nacional de Educação (PNE), a Comissão Permanente de Formação de Professores da Universidade Estadual de Campinas (CPFP/Unicamp) se manifestou em uma nota, acessível aqui.

Um adendo à postagem original: vem do blog Avaliação Educacional a notícia de que “O PL 4486/2016 que altera o Plano Nacional de Educação – PNE, visando que a Base Nacional Comum Curricular – BNCC, mediante proposta do Poder Executivo, seja aprovada pelo Congresso Nacional teve solicitação de regime de urgência.”

O intento é dar força de lei ao documento da BNCC,  ou seja, um teor impositivo distinto daquele que tem se somente é aprovado pelo Conselho Nacional de Educação. A tramitação do PL pode ser acompanhada no site do Congresso Nacional. O inteiro teor da proposta, aqui. Se você não entendeu, entenda: a definição final dos mínimos curriculares comuns (se trata de uma BASE), dos direitos de aprendizagem de nossas crianças e jovens, será de responsabilidade deste congresso, e não do CNE. A única consideração em contrário foi pela deputada Professor Rosinha Seabra Resende (DEM-TO).

Em dezembro ocorrerá na Unicamp o evento Inovações em Atividades Curriculares.

Na UFRGS, hoje ocorre mais uma mesa do ciclo de debates Garantia do Direito à Educação: monitorando o Plano Nacional de Educação (Lei nº 13.005/2014), e Fernando Haddad estará no mesmo auditório à tarde para falar do tema.

Sexta-feira, dia 29/09, a PUCRS receberá o professor Ronai Rocha para uma palestra sobre o Quando ninguém educa:

 

Termino este pupurri contando que o ontem o livro foi tema de uma mesa redonda no Departamento de Filosofia da casa do autor, a UFSM. Foi uma tarde riquíssima, com sala lotada, bons debates e muito aprendizado. (Os slides que preparei para minha intervenção podem ser acessados aqui, em formato .pdf) O Prof. Ronai – que já esteve na PUC-Rio discutindo o livro a convite do colega Edgar Lyra – está estudando MUITO Paulo Freire, suas leituras e seus contextos, e respondendo a todos os questionamentos com a vivacidade típica de seu exercício do ofício.

E para quem acha que não era hora de questionar o patrono da educação nacional – ainda mais quando se tenta destroná-lo – a resposta à la Freud, que o Prof. Ronai disse que em breve publica, vai por aqui: não recalquemos o reconhecimento de elementos problemáticos na obra de tão importante pedagogo, sob pena de que o retorno deste recalque nos seja mais nocivo do que os incômodos envolvidos na tarefa – afinal, a nossa – de crítica, e auto, constante.

Para evitar dogmatismos de toda sorte, que outro remédio há?

 

Varia

Na sequencia da notícia que inseri ao final da postagem anterior, acompanhada de uma entrevista em que se aventam mudanças no PIBID, li no Estadão texto (publicado em 17 de agosto) de Isabela Palhares, titulado “Programa de bolsas para professor tem redução de 14,8%” – “Ministério da Educação (MEC) alegou que fará mudanças; fórum nacional teme pela continuidade do projeto”

Reproduzo a íntegra do texto para quem não consegue acesso ao jornal:

Uma das principais ações do governo federal de formação de professores para a educação básica, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) sofreu uma redução de 14,8% no número de bolsistas nos últimos dois anos. Sem dar detalhes, o Ministério da Educação (MEC) informou que está estruturando para o próximo ano uma reformulação do programa, que concede bolsas para estudantes de licenciatura estagiarem em escolas públicas do País.

O Estado obteve pela Lei de Acesso à Informação dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), responsável pelo programa, que tinha 65.185 bolsistas do Pibid em junho de 2015. No mesmo mês deste ano, eram 58.268. 

O programa concede bolsas de R$ 400 aos alunos de licenciatura para participarem de projetos em escolas de educação básica, além de pagar R$ 1,2 mil aos coordenadores e R$ 600 aos professores responsáveis pelas disciplinas.

 

 

O MEC informou que houve um corte de bolsas ao fim de 2015, quando foi feito um “ajuste do programa ao orçamento que havia sido aprovado naquele ano” – o ministério perdeu 10% de seu orçamento, cerca de R$ 10,5 bilhões a menos. No primeiro semestre de 2015, a Capes pagou R$ 251,7 milhões em bolsas. O montante caiu 10,1%, R$ 226,5 milhões, no mesmo período de 2016. A pasta disse que atualmente estão disponíveis 59.156 bolsas para o Pibid e os coordenadores de projetos não preencheram todas.

Nilson Cardoso, presidente do Fórum Nacional dos Coordenadores do Pibid (Forpibid), disse que a preocupação é com a sobrevivência do programa, reconhecido por proporcionar aos jovens da graduação a vivência do cotidiano das escolas públicas. “O Pibid tem uma dinâmica diferente, porque os alunos se formam ou conseguem outra bolsa e são substituídos. O que acontece desde 2015 é que as vagas são fechadas, sem aviso e sem a possibilidade de incluir novos bolsistas. É um efeito cascata.”

No último período do curso de educação física da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) , Hugo Tavares, de 22 anos, tentou por dois anos, mas não conseguiu ser selecionado para o Pibid. “É uma pena não ter tido essa oportunidade. Acredito que limita minha formação, porque não tive um contato direto com as escolas e alunos. Eu quero dar aula na rede pública e tenho certeza que teria feito diferença na minha trajetória profissional”, diz.

Segundo Tavares, em sua turma 15 estudantes tentaram o ingresso no programa e nenhum conseguiu. Apesar do valor da bolsa ser pequeno, ele disse que teria o ajudado financeiramente e poderia ter impedido que ele procurasse emprego em outras áreas durante a graduação. “Nos últimos anos, trabalhei com vendas para poder me manter na faculdade. Gostaria de ter trabalhado com educação, que é onde vou atuar, mas, como não consegui, tive que me virar”, disse.

Em 2015, uma pesquisa, feita com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), mostrou que 64% dos formados que participaram de programas de iniciação à docência, como o Pibid, foram trabalhar na área da educação – 88% atuando como professores . Dentre os que não trabalhavam na área, 47% disse estar aguardando concurso na rede pública.

Em nota, o MEC informou que atualmente estão disponíveis 59.156 bolsas para o Pibid e disse que os coordenadores de projetos não preencheram todas elas. O ministério também disse que o programa é “apenas umas das iniciativas” para qualificar a formação de professores. “Sem pretensões de ser universal, ele deve funcionar como indutor de boas práticas”, disse em nota.

Sobre as mudanças no programa, a pasta disse ter montado um grupo de trabalho para a reformulação e a previsão é de que as primeiras conclusões sejam apresentadas em outubro. “A intenção é garantir a autonomia das secretarias de educação na escolha das escolas em que o Pibid irá atuar, bem como uma participação mais ativa nos projetos a serem desenvolvidos”, disse.

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No dia 24 de agosto o Professor Ronai Rocha proferiu uma aula inaugural em sua universidade. Foi no Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), o registro audiovisual está disponível na plataforma Farol UFSM, e a aula versou sobre Quando Ninguém Educa, seu livro-desafio.

No início da aula o professor fala de algo que me tem precupado bastante: como estamos trabalhando, nos cursos de licenciatura, as habilidades para ensinar dos futuros professores? Fazemos/faremos isso nos “departamentos de conteúdo” ou o deixamos/deixaremos a cargo das faculdades de educação, especialmente dos cursos de pedagogia? (A propósito recolhi dois textos, que ainda não li, sobre a história dos cursos de pedagogia no Brasil e sobre seus currículos) Ou deixamos isso para nunca? Este texto sobre “aulas invertidas” fala do tipo de coisa a que aludo.

*** 

Já que o vento está soprando nesta direção, o Prof. Ronai também disponibilizou para discussão, em sua página do Academia.edu, um texto, antes postado em seu blog, em que provoca reflexões sobre certa tendência em assuntos de didática da filosofia, de entendimento de si como “uma coisa que discute filosofia” (Millôr, informe-se). O texto pretende pontuar, como se anda dizendo, ideias que merecem mais atenção de nossa parte – nessas horas de aprimorar os argumentos em defesa da nossa presença na vida escolar, dados os golpes sofridos nos últimos tempos no rumo das coisas brasileiras.

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A ANPOF noticiou em seu site a publicação da Coleção Novas Tendências para o Ensino de Filosofia, organizada por Adriana Mattar Maamari:

O Volume 1 se intitula Tópicos específicos de aprendizagem

O Volume 2 Campo histórico-conceitual, didático e metodológico

O volume 3 se chama O contexto de sala de aula e o âmbito das pesquisas

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Foi publicado pela Cultura Acadêmica o livro resultado do doutoramento de Tiago Brentam Perencini (UNESP/Marília), Uma arqueologia do ensino de filosofia no Brasil – Formação discursiva na produção acadêmica de 1930 a 1968, que pode ser baixado aqui. A sinopse diz:

O objetivo deste livro é investigar a formação discursiva do ensino de filosofia em nível universitário no Brasil. O autor analisa as condições para a formação do saber sobre “ensino de filosofia” na esfera universitária. Para isso, pesquisa os anos 1930, década em que se inicia a criação das principais Faculdades de Filosofia no Brasil, até 1968, ano da Reforma Universitária no país, para: (a) verificar a hipótese de pesquisa, que visa analisar o formato de articulação entre os discursos filosófico e pedagógico na constituição do saber “ensino de filosofia”; (b) oferecer o mapeamento do debate acerca do ensino de filosofia no debate acadêmico entre os anos de 1930 e 1968.

Escolas sem Filosofia e Sociologia – uma pesquisa importante

Os colegas do GT da ANPOF Filosofar e Ensinar a Filosofar propuseram uma pesquisa, via Google, para levantar dados acerca do estado atual do ensino de Filosofia e Sociologia nas escolas brasileiras após as mudanças impostas pelo atual governo. Ela pode ser respondida por professores do nível básico de ensino neste link (é preciso ter conta no Google para responder, no entanto). O texto que apresenta a pesquisa explica:

Com o impacto da Lei 13.415 de 2017, conhecida como a Reforma do Ensino Médio, temos coletado informações de que muitas escolas estão se antecipando e retirando o ensino de Filosofia e Sociologia, antes obrigatório pelo extinto artigo 36 da Lei de Diretrizes e Bases (Lei 9394/1996).
A fim de conhecer a natureza de transformações curriculares nas escolas de ensino médio nesse processo, nosso Grupo de Trabalho “Filosofar e Ensinar a Filosofar” da Associação Nacional de Pós Graduação em Filosofia (ANPOF) vem à público para solicitar aos colegas professores, bem como pais, alunos e gestores informações sobre as transformações curriculares em suas escolas.
Queremos saber, a partir do chão de sala qual a situação destas disciplinas e, com bases nesses dados (ainda que imprecisos) promover um debate sobre o significado desta reforma do ensino médio e seu impacto em disciplinas ainda recentes como a Filosofia e a Sociologia.

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Desde a “proposição” da assim chamada “Reforma do Ensino Médio” a ameaça de ostracismo (ou seria exílio?) curricular paira não somente sobre as cabeças dessas duas disciplinas escolares, que por último ingressaram neste ambiente, mas sobre todas as disciplinas escolares com exceão da Língua Portuguesa e da Matemática. Em especial, sabemos, ameaça-se a vida curricular das Humanidades em nossas escolas públicas. As universidades públicas, a seu turno e como de costume, estão algumas mais ou outras menos engajadas na defesa e mesmo na discussão sobre como enfrentar estas ameaças.

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De outra parte, noticiou-se hoje no site da CAPES a publicação de uma portaria no D.O.U. versando sobre a “indução à integração das ações de formação de professores para a educação básica nas IES”. O que, creio, é um avanço na direção de transformações de projetos que integravam o PARFOR, como o PIBID, sobre as quais fala, por exemplo, a professora Maria Beatriz Luce nesta entrevista, que vale a pensa ser lida pelos interessados nas mudanças nas estruturas curriculares dos cursos de licenciatura.

Guia do Livro Didático 2018

Há poucos dias contei por aqui a notícia da seleção de oito livros didáticos de Filosofia por meio do PNLD 2018.

Agora soube que já está disponível o Guia do Livro Didático, livro de resenhas que auxilia os professores das escolas públicas em suas escolhas.

Aqui há um link direto para os textos sobre os livros de Filosofia.

 

 

Revisão dos conteúdos do ensino básico no superior – uma polêmica?

Foi noticiado hoje pelo jornal O Estado de São Paulo que

“O Conselho Estadual de Educação (CEE) de São Paulo deliberou que, a partir do próximo ano, os cursos de Pedagogia e as Licenciaturas oferecidas pelas universidades estaduais reservem parte da carga horária para que os alunos “revisem e enriqueçam” os conteúdos do ensino fundamental e do médio. Coordenadores e diretores dessas graduações na USP, Unicamp e Unesp manifestaram preocupação com a nova regra, sob o risco de engessar os projetos político-pedagógicos e ferir a autonomia universitária ao fixar os currículos de seus cursos e programas.

Dentre as novas diretrizes curriculares estabelecidas pelo CEE ficou definido que os cursos de Pedagogia, nos quais são formados docentes para atuar na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental (do 1.º ao 5.º ano), terão de destinadas 600 horas para a revisão dos conteúdos – 18,75% da carga horária de 3,2 m

il horas. Para as licenciaturas, que formam professores para atuar nos anos finais do ensino fundamental (do 6.º ao 9.º ano) e médio, serão 200 horas para a revisão dos conteúdos da área ou disciplina em que vão lecionar e estudos da Língua Portuguesa.

 A deliberação anterior, de 2014, dizia – sem especificar uma obrigatoriedade de carga horária – que os cursos deveriam ter como objetivo “ampliar e aprofundar conhecimentos relativos a áreas relacionadas ao trabalho pedagógico”.

Bernadete Gatti, presidente do Conselho, diz que o conteúdo a ser revisado ficará a cargo dos cursos de graduação. “É importante ter a recuperação. Quando o aluno chega à universidade, esse conteúdo do ensino básico já está distante. Nota-se que alunos de Pedagogia, por exemplo, têm algumas dificuldades com Matemática e eles vão ter de ensinar operações, frações. Conceitos que não estão muito claros na memória”, diz.

Questionamentos. Uma carta das Comissões Coordenadoras das Licenciaturas e Pedagogia da USP questiona a “naturalização” do CEE com as “fragilidades da educação básica”, com a indicação de que seus cursos devam ter espaço de revisão dos conhecimentos dessa etapa de ensino. “(Para a Pedagogia) são exigidas 600 horas, quase um quinto do curso para revisão. Esse não pode ser o papel de um curso de formação de professores”, afirma Marcos Neira, presidente da Comissão de Graduação da Faculdade de Educação da USP.

Um novo projeto político-pedagógico para a Pedagogia da USP foi apresentado ao CEE em janeiro e aguarda aprovação. “Essa nova deliberação nos preocupa pelo risco ao nosso projeto, que responde à expectativa do professor que queremos formar e acreditamos que a sociedade almeja”, diz Neira.

“É um descalabro, uma compreensão equivocada e ultrapassada de formação de professores. Não há dicotomia entre os conceitos curriculares da educação básica e o ensino da Pedagogia, eles devem ser aprendidos juntos, como já fazemos. Não dá para estudar alfabetização sem estudar ortografia”, diz Dirce Zan, diretora da Faculdade de Educação da Unicamp. O curso de Pedagogia da instituição teve o currículo revisado e aprovado pelo CEE em 2016.

Em nota, a Pró-Reitoria de Graduação da Unesp disse que as novas normas podem contribuir para a formação docente desde que “não sejam interpretadas como um engessamento da carga horária dos cursos”, mas como oportunidade de aumentar a personalização dos currículos. A universidade disse que nenhum de seus 183 cursos contempla explicitamente revisão de conteúdos da educação básica, mas reconhece que “muitos alunos não têm embasamento suficiente para acompanhar” a graduação e, por isso, oferece monitorias e tutorias como atividades extraclasse.”

Notas brevíssimas:

a) é simplesmente escandaloso se currículos de cursos superiores de Pedagogia, que formam professores para alfabetizar crianças e introduzi-las no mundo dos conhecimentos valiosos, não tenham espaços para a revisão de conteúdos básicos a serem ensinados;

b) a polêmica em torno desta decisão provavelmente misturará de modo nefasto política partidária e didática (muitas falas  sobre não haver “neutralidade” em nenhuma dimensão da vida humana e outros blablablás);

c) dados a) e b) acima, Quando Ninguém Educa, o novo livro do Professor Ronai se torna, a cada segundo, mais importante de ser lido e discutido de modo sério e justo.

 

PNLD 2018 – oito opções de Filosofia

No início deste mês de agosto foi divulgada pela Secretaria de Educação Básica do MEC a Portaria com o resultado final da atual edição do Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) para o Ensino Médio. O PNLD, para quem não sabe, é um dos Planos do Livro, cujo destino não se sabe qual será após o anúncio de que o grupo atualmente responsável pelo governo do país manifestou mais desprezo pelas políticas públicas educacionais forjadas e levadas a cabo nos últimos anos.

Desta feita, diferentemente da última, foram selecionados oito livros didáticos de Filosofia, a serem escolhidos pelos professores das escolas públicas brasileiras a partir do dia 21 de agosto. São eles:

Filosofia e filosofias: existência e sentidos, de Juvenal Savian Filho. (Pode-se com proveito ler aqui uma entrevista de Juvenal sobre seu livro, publicada no portal Carta Educação em dezembro do ano passado. Já aqui, uma postagem do blog do professor Ronai sobre a mesma obra.)

Reflexões: filosofia e cotidiano, de José Antonio Vasconcelos.

Filosofia: temas e percursos, vários autores – organizado por Vinícius de Figueiredo. (Há uma resenha disponível aqui.)

Filosofia: experiência de pensamento, de Sílvio Gallo. (Pode-se acessar aqui uma entrevista com o autor sobre seu livro.)

Fundamentos de filosofia, de Gilberto Cotrim. (Na 17ª edição)

Iniciação à filosofia, de Marilena Chauí. (O tradicional Convite à filosofia, rererevisitado.)

Filosofando: introdução à filosofia, de Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins (Similarmente, rerere…).

Os três últimos são os mais velhos conhecidos do professorado brasileiro de filosofia. O livro de Gallo já havia sido selecionado no último edital (pode-se ler o livro de resenhas, Guia do Livro Didático de 2015aqui), enquanto os demais são novidades bem-vindas (conheço alguns)!

A escolha dos livros inicia no dia 21 de agosto e fica em aberto durante somente duas semanas. Gostaria de poder organizar um evento reunindo os professores de filosofia da região metropolitana de Porto Alegre para discutir critérios e obras, antes deste prazo encerrar, mas não sei se há tempo hábil e energia para tal. Alguém se anima?

 

Quando ninguém educa – questionando Paulo Freire

Está disponível para pré-venda o novo livro do Professor Ronai Rocha, o Quando ninguém educasubintitulado questionando Paulo Freire. 

(Informação prática: professores recebem 20% de desconto no site da Editora Contexto.)

Acompanhei a confecção deste livro desde que era ideia ainda, passando por quando tinha outro título, acho que a partir de fins de 2015, até chegar à última versão e a notícia da impactante capa. Estávamos, em 2015, em meio ao processo de crítica à primeira versão da BNCC, quando – como conta Ronai na Introdução, que pode ser acessada aqui – uma importante associação nacional de educação cometeu uma dura crítica à empreitada mesma de construção de uma Base Curricular mínima para a escola brasileira.

Conforme fui lendo as diferentes versões do texto neste último par de anos – sempre contente pela confiança do maestro em minha capacidade leitora – não só aprendi muito sobre crítica, epistemologia, pedagogia, história das ideias, sobre a universidade brasileira, sobre Paulo Freire (seus contextos e sectos, seus textos e ideias), mas sobre como acertar a letra e o passo de um texto que, por sua natureza, estilo e substância, já se sabia desde sempre que causaria as mais diversas reações. Estou segura de que a variedade delas incluirá muitos “não li e não gostei”, algumas leituras oportunistas e outras tantas dedicadas e justas.

A lida cotidiana é bastante e intensa por estes dias, mas já está prometida uma resenha do livro para meados de agosto, quando espero poder visitar Santa Maria para o lançamento.

Até lá, deixo o convite para que o livro seja lido por todos os interessados em educação em nosso país, segundo os mesmos rigor, acurácia e arrojo com os quais foi escrito – ainda que, quase que de modo inescapável, gere sentimentos conflitantes, do mesmo modo como foi escrito.

Em tempos de ruptura e reorganização de forças sociais, políticas e também acadêmicas, como os que estamos vivendo, este livro nos oferece a perspectiva de sacudir certas poeiras (seria melhor dize-lo: movimentar certas placas tectônicas?) que há muito nos impedem de ver melhor onde estamos, como aqui chegamos, bem como por onde e por que seguir.

Em tempo, a editora apresentou o livro assim (o grifo da frase final é meu):

A crise na educação brasileira é inegável. A baixa qualidade das aprendizagens, a estagnação do desempenho escolar nos testes padronizados, a pouca relevância do aumento dos anos de estudo na vida do aluno, a crescente evasão escolar em todos os níveis, o aumento da distorção idade-série e tantos outros problemas são evidências disso. Mas onde se localizam as raízes teóricas da atual crise educacional que vivemos? Neste livro, o professor Ronai Rocha se dedica a desvendar e a compreender o pensamento teórico dominante no cenário educacional e pedagógico brasileiro. O autor realiza um movimento esclarecedor sobre as raízes da reflexão sobre educação no país, que incidem até hoje na formação de nossos professores. E mostra como uma maneira peculiar de ler Paulo Freire afeta o ensino no Brasil.