Varia

Na sequencia da notícia que inseri ao final da postagem anterior, acompanhada de uma entrevista em que se aventam mudanças no PIBID, li no Estadão texto (publicado em 17 de agosto) de Isabela Palhares, titulado “Programa de bolsas para professor tem redução de 14,8%” – “Ministério da Educação (MEC) alegou que fará mudanças; fórum nacional teme pela continuidade do projeto”

Reproduzo a íntegra do texto para quem não consegue acesso ao jornal:

Uma das principais ações do governo federal de formação de professores para a educação básica, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) sofreu uma redução de 14,8% no número de bolsistas nos últimos dois anos. Sem dar detalhes, o Ministério da Educação (MEC) informou que está estruturando para o próximo ano uma reformulação do programa, que concede bolsas para estudantes de licenciatura estagiarem em escolas públicas do País.

O Estado obteve pela Lei de Acesso à Informação dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), responsável pelo programa, que tinha 65.185 bolsistas do Pibid em junho de 2015. No mesmo mês deste ano, eram 58.268. 

O programa concede bolsas de R$ 400 aos alunos de licenciatura para participarem de projetos em escolas de educação básica, além de pagar R$ 1,2 mil aos coordenadores e R$ 600 aos professores responsáveis pelas disciplinas.

 

 

O MEC informou que houve um corte de bolsas ao fim de 2015, quando foi feito um “ajuste do programa ao orçamento que havia sido aprovado naquele ano” – o ministério perdeu 10% de seu orçamento, cerca de R$ 10,5 bilhões a menos. No primeiro semestre de 2015, a Capes pagou R$ 251,7 milhões em bolsas. O montante caiu 10,1%, R$ 226,5 milhões, no mesmo período de 2016. A pasta disse que atualmente estão disponíveis 59.156 bolsas para o Pibid e os coordenadores de projetos não preencheram todas.

Nilson Cardoso, presidente do Fórum Nacional dos Coordenadores do Pibid (Forpibid), disse que a preocupação é com a sobrevivência do programa, reconhecido por proporcionar aos jovens da graduação a vivência do cotidiano das escolas públicas. “O Pibid tem uma dinâmica diferente, porque os alunos se formam ou conseguem outra bolsa e são substituídos. O que acontece desde 2015 é que as vagas são fechadas, sem aviso e sem a possibilidade de incluir novos bolsistas. É um efeito cascata.”

No último período do curso de educação física da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) , Hugo Tavares, de 22 anos, tentou por dois anos, mas não conseguiu ser selecionado para o Pibid. “É uma pena não ter tido essa oportunidade. Acredito que limita minha formação, porque não tive um contato direto com as escolas e alunos. Eu quero dar aula na rede pública e tenho certeza que teria feito diferença na minha trajetória profissional”, diz.

Segundo Tavares, em sua turma 15 estudantes tentaram o ingresso no programa e nenhum conseguiu. Apesar do valor da bolsa ser pequeno, ele disse que teria o ajudado financeiramente e poderia ter impedido que ele procurasse emprego em outras áreas durante a graduação. “Nos últimos anos, trabalhei com vendas para poder me manter na faculdade. Gostaria de ter trabalhado com educação, que é onde vou atuar, mas, como não consegui, tive que me virar”, disse.

Em 2015, uma pesquisa, feita com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), mostrou que 64% dos formados que participaram de programas de iniciação à docência, como o Pibid, foram trabalhar na área da educação – 88% atuando como professores . Dentre os que não trabalhavam na área, 47% disse estar aguardando concurso na rede pública.

Em nota, o MEC informou que atualmente estão disponíveis 59.156 bolsas para o Pibid e disse que os coordenadores de projetos não preencheram todas elas. O ministério também disse que o programa é “apenas umas das iniciativas” para qualificar a formação de professores. “Sem pretensões de ser universal, ele deve funcionar como indutor de boas práticas”, disse em nota.

Sobre as mudanças no programa, a pasta disse ter montado um grupo de trabalho para a reformulação e a previsão é de que as primeiras conclusões sejam apresentadas em outubro. “A intenção é garantir a autonomia das secretarias de educação na escolha das escolas em que o Pibid irá atuar, bem como uma participação mais ativa nos projetos a serem desenvolvidos”, disse.

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No dia 24 de agosto o Professor Ronai Rocha proferiu uma aula inaugural em sua universidade. Foi no Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), o registro audiovisual está disponível na plataforma Farol UFSM, e a aula versou sobre Quando Ninguém Educa, seu livro-desafio.

No início da aula o professor fala de algo que me tem precupado bastante: como estamos trabalhando, nos cursos de licenciatura, as habilidades para ensinar dos futuros professores? Fazemos/faremos isso nos “departamentos de conteúdo” ou o deixamos/deixaremos a cargo das faculdades de educação, especialmente dos cursos de pedagogia? (A propósito recolhi dois textos, que ainda não li, sobre a história dos cursos de pedagogia no Brasil e sobre seus currículos) Ou deixamos isso para nunca? Este texto sobre “aulas invertidas” fala do tipo de coisa a que aludo.

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Já que o vento está soprando nesta direção, o Prof. Ronai também disponibilizou para discussão, em sua página do Academia.edu, um texto, antes postado em seu blog, em que provoca reflexões sobre certa tendência em assuntos de didática da filosofia, de entendimento de si como “uma coisa que discute filosofia” (Millôr, informe-se). O texto pretende pontuar, como se anda dizendo, ideias que merecem mais atenção de nossa parte – nessas horas de aprimorar os argumentos em defesa da nossa presença na vida escolar, dados os golpes sofridos nos últimos tempos no rumo das coisas brasileiras.

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A ANPOF noticiou em seu site a publicação da Coleção Novas Tendências para o Ensino de Filosofia, organizada por Adriana Mattar Maamari:

O Volume 1 se intitula Tópicos específicos de aprendizagem

O Volume 2 Campo histórico-conceitual, didático e metodológico

O volume 3 se chama O contexto de sala de aula e o âmbito das pesquisas

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Foi publicado pela Cultura Acadêmica o livro resultado do doutoramento de Tiago Brentam Perencini (UNESP/Marília), Uma arqueologia do ensino de filosofia no Brasil – Formação discursiva na produção acadêmica de 1930 a 1968, que pode ser baixado aqui. A sinopse diz:

O objetivo deste livro é investigar a formação discursiva do ensino de filosofia em nível universitário no Brasil. O autor analisa as condições para a formação do saber sobre “ensino de filosofia” na esfera universitária. Para isso, pesquisa os anos 1930, década em que se inicia a criação das principais Faculdades de Filosofia no Brasil, até 1968, ano da Reforma Universitária no país, para: (a) verificar a hipótese de pesquisa, que visa analisar o formato de articulação entre os discursos filosófico e pedagógico na constituição do saber “ensino de filosofia”; (b) oferecer o mapeamento do debate acerca do ensino de filosofia no debate acadêmico entre os anos de 1930 e 1968.

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Quando ninguém educa – questionando Paulo Freire

Está disponível para pré-venda o novo livro do Professor Ronai Rocha, o Quando ninguém educasubintitulado questionando Paulo Freire. 

(Informação prática: professores recebem 20% de desconto no site da Editora Contexto.)

Acompanhei a confecção deste livro desde que era ideia ainda, passando por quando tinha outro título, acho que a partir de fins de 2015, até chegar à última versão e a notícia da impactante capa. Estávamos, em 2015, em meio ao processo de crítica à primeira versão da BNCC, quando – como conta Ronai na Introdução, que pode ser acessada aqui – uma importante associação nacional de educação cometeu uma dura crítica à empreitada mesma de construção de uma Base Curricular mínima para a escola brasileira.

Conforme fui lendo as diferentes versões do texto neste último par de anos – sempre contente pela confiança do maestro em minha capacidade leitora – não só aprendi muito sobre crítica, epistemologia, pedagogia, história das ideias, sobre a universidade brasileira, sobre Paulo Freire (seus contextos e sectos, seus textos e ideias), mas sobre como acertar a letra e o passo de um texto que, por sua natureza, estilo e substância, já se sabia desde sempre que causaria as mais diversas reações. Estou segura de que a variedade delas incluirá muitos “não li e não gostei”, algumas leituras oportunistas e outras tantas dedicadas e justas.

A lida cotidiana é bastante e intensa por estes dias, mas já está prometida uma resenha do livro para meados de agosto, quando espero poder visitar Santa Maria para o lançamento.

Até lá, deixo o convite para que o livro seja lido por todos os interessados em educação em nosso país, segundo os mesmos rigor, acurácia e arrojo com os quais foi escrito – ainda que, quase que de modo inescapável, gere sentimentos conflitantes, do mesmo modo como foi escrito.

Em tempos de ruptura e reorganização de forças sociais, políticas e também acadêmicas, como os que estamos vivendo, este livro nos oferece a perspectiva de sacudir certas poeiras (seria melhor dize-lo: movimentar certas placas tectônicas?) que há muito nos impedem de ver melhor onde estamos, como aqui chegamos, bem como por onde e por que seguir.

Em tempo, a editora apresentou o livro assim (o grifo da frase final é meu):

A crise na educação brasileira é inegável. A baixa qualidade das aprendizagens, a estagnação do desempenho escolar nos testes padronizados, a pouca relevância do aumento dos anos de estudo na vida do aluno, a crescente evasão escolar em todos os níveis, o aumento da distorção idade-série e tantos outros problemas são evidências disso. Mas onde se localizam as raízes teóricas da atual crise educacional que vivemos? Neste livro, o professor Ronai Rocha se dedica a desvendar e a compreender o pensamento teórico dominante no cenário educacional e pedagógico brasileiro. O autor realiza um movimento esclarecedor sobre as raízes da reflexão sobre educação no país, que incidem até hoje na formação de nossos professores. E mostra como uma maneira peculiar de ler Paulo Freire afeta o ensino no Brasil.

A Filosofia na Base, ou no meio do redemunho

Noticiou-se na semana passada a entrega da terceira versão da BNCC por parte do atual dirigente do Ministério da Educação (MEC) ao Conselho Nacional de Educação (CNE). Aqui se pode acessar a notícia, no site da câmara.

Antes desta entrega Maria Helena Guimarães Castro já havia, em videoconferência a jornalistas especializado em educação (JEDUCA), apresentado certas sinalizações acerca do documento, que se refere tão somente ao nível fundamental de ensino básico, excluindo-se o médio.

A Associação Nacional da Pós-Graduação em Educação divulgou esta nota preliminar, da qual destaco o seguinte trecho:

      A BNCC é um documento inspirado em experiências de centralização curricular, tal como o modelo do Common Core Americano, o Currículo Nacional desenvolvido na Austrália, e a reforma curricular chilena – todas essas experiências amplamente criticadas em diversos estudos realizados sobre tais mudanças em cada um desses países;
      A retirada do Ensino Médio do documento fragmentou o sentido da integração entre os diferentes níveis da Educação Básica, ao produzir centralização específica na Educação Infantil e Ensino Fundamental;
      É preocupante também a retomada de um modelo curricular pautado em competências. Esta “volta” das competências ignora todo o movimento das Diretrizes Curriculares Nacionais construídas nos últimos anos e a crítica às formas esquemáticas e não processuais de compreender os currículos;
       A retirada de menções à identidade de gênero e orientação sexual do texto da BNCC reflete seu caráter contrário ao respeito à diversidade e evidencia a concessão que o MEC tem feito ao conservadorismo no Brasil;
      A concepção redutora frente aos processos de alfabetização e o papel da instituição escolar na educação das crianças.

Os jornalistas do JEDUCA também se manifestaram, mas sobre o modo como o MEC procedeu com eles: deu acesso, com embargo, a uma versão do documento que afinal não foi aquela entregue ao CNE – nesta, expressões como “orientação sexual” não ocorrem mais (diz-se que isso ocorreu após reunião de dirigentes do MEC com representantes da assim chamada bancada evangélica do congresso nacional). mas acabou  A Base do Ensino Médio, ao que tudo vem indicando, será entregue somente em fins de 2017.

Para refletir sobre esta versão do documento, recomendo tanto este texto publicado no Nexo. Sobre a a exclusão do Ensino Médio, o papel das instituições privadas, e ainda outros aspectos extremamente relevantes, confiram as ponderações do colega Edgar Lyra neto (PUC-Rio, que participava da confecção da parte relativa à Filosofia até a ruptura no comando do governo federal) no site da ANPOF.

Há muitíssimo a discutir acerca de todo este processo, que se ganhou algo em qualidade (antecedente a ser verificado, com critérios claros e discussões públicas e sérias), certamente perdeu em caráter democrático.

Os impactos para a formação docente, por exemplo, ainda são obscuros. (Algumas universidades já estão adaptando os currículos de suas licenciaturas à resolução 02/2015 do CNE enquanto outras, mais prudentes, aguardam a versão completa da BNCC e novos posicionamentos do MEC para saber se o que a Lei 13.415 diz sobre a formação docente não é incompatível com aquela resolução.)

E a Filosofia?

Por ora, até onde pude saber em conversas com colegas de outros estados, as escolas públicas permanecem conosco em suas práticas curriculares.

Em breve podemos estar na rua, no meio do redemunho.

Teremos sido interrompidos por uma Base no meio do caminho?

 

Redemoinho, Xiologravura de Arlindo Daibert

P.S.: Na semana passada também se soube desta Comunicação da ONU sobre o famigerado programa (projeto? como chamar?) Escola Sem Partido. E, sobre o ensino superior, Lilia Schwarz refletiu sobre a situação da UERJ como prenúncio de novos e piores tempos para Universidade brasileira no Nexo.

 

 

Preparando o professor de filosofia: blogs, sites e outros afins

Neste semestre os programas das disciplinas que estou lecionando incluem uma lista, ainda provisória, de links para sites de revistas, pessoas, blogs e demais tipos de ligações online sobre filosofia e ensino, para que os futuros professores busquem informação, conhecimento, ideias etc..

Submeto-a aos leitores para que, caso se interessem, ajudem a complementa-la:

Crítica na rede (Textos de variados estilos, temáticas e graus de complexidade)  http://criticanarede.com

Didática da Filosofia (Blog do Professor Ronai Rocha) https://didaticadafilosofia.wordpress.com

Filosofia e Ensino (Blog de Leonardo Ruivo e Marcos Goulart) https://filosofiaeensino.wordpress.com

Filosofia Pop (Site com textos e podcasts sobre Filosofia e Ensino de Filosofia) http://filosofiapop.com.br

Filosofia e Filosofias (Material de apoio do livro didático de Juvenal Savian Filho) http://grupoautentica.com.br/autentica/hotsite/filosofia-e-filosofias

LEFIS UFSC (Laboratório Interdisciplinar de Ensino de Filosofia e Sociologia)  http://lefis.ufsc.br/conheca-o-lefis/historico/

LLEPEFIL UERJ (Laboratório de Licenciatura e Pesquisa sobre o Ensino de Filosofia) http://www.llpefil-uerj.net/quem-somos

Laboratório de Ensino de Filosofia Gerd Bornheim– UFRJ http://www.lefgb.fe.ufrj.br

Laboratório de Filosofia – UFMG http://www.fafich.ufmg.br/~labfil/

ReFilo (Revista Digital de Ensino de Filosofia): https://periodicos.ufsm.br/refilo/about

Páginas de filosofia http://www.paginasdefilosofia.net

Filosofia na Escola (blog do Prof. Marcelo Senna): http://filoescola.blogspot.com.br

childhood & philosophy (revista sobre infância e filosofia): http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/childhood/about/editorialPolicies#focusAndScope

Portal Traduzindo (A Coleção Traduzindo: Textos filosóficos em sala de aula é uma criação de professores e estudantes do Curso de Graduação em Filosofia da UFPR que, a partir de 2009, formaram e mantiveram as Oficinas de Tradução onde foram planejados e produzidos os volumes da coleção): http://www.ufpr-filosofia.com.br

Lista de periódicos nacionais de filosofiahttps://epistemologiacontemporanea.wordpress.com/category/revistas-e-jornais-de-filosofia/revistas-brasileiras-de-filosofia/

Revista Analytica (um dos mais tradicionais periódicos de filosofia do Brasil, que não consta na lista anterior) https://revistas.ufrj.br/index.php/analytica

Site da Academia Mexicana de Lógica http://academiamexicanadelogica.org/Presentacion-AML

Secretaria da Educação do Estado do Paraná (conferir, sobretudo, a Antologia de textos)  http://www.filosofia.seed.pr.gov.br

GT da ANPOF “Filosofar e Ensinar a Filosofar” http://anpof.org/portal/index.php/pt-BR/2013-11-25-22-44-25/grupos-de-trabalho/category-items/2-grupos-trabalho/30-filosofar-e-ensinar-a-filosofar

Projeto Paideia (PIBID Filosofia UNB): https://projetopaideia.wordpress.com/

Pibid Filosofia UFRGS http://www.ufrgs.br/ensinodefilosofia/index.html

Matheus Penafiel (Blog com relatos detalhados de aulas de filosofia no ensino médio): https://matheuspenafiel.wordpress.com

NEFI (Núcleo de Estudos de Filosofias e Infâncias) http://www.filoeduc.org

CLEF (Site do Centro Luso Brasileiro de Ensino de Filosofia, em construção): http://www.clef.com.pt

IPO (International Philosophy Olympiad) http://ipo2017.nl

Existencial Comics: http://existentialcomics.com/comic/47

Logic Matters (com destaque para o guia Teach Yourself Logic) http://www.logicmatters.net/tyl/

History of Philosophy Without Any Gaps (Podcasts de história da filosofia, em inglês) https://www.historyofphilosophy.net

PhilPapers (plataforma com artigos de filosofia): https://philpapers.org

PhilPapers Brasil: http://philbrasil.com.br

Philosophie Magazine (revista francesa de divulgação de filosofia) http://www.philomag.com

Philosophy Bites (Podcasts de filosofia, em inglês) http://www.philosophybites.com

The Philosophers Magazine (revista inglesa de divulgação de filosofia) http://www.philosophersmag.com

Teaching Philosophy (Revista Norte-Americana sobre ensino de filosofia) https://www.pdcnet.org/teachphil

Aeon Magazine (Revista online sobre “grandes questões contemporâneas”, com ensaios, vídeos e discussões que podem ser fonte para preparar aulas) https://aeon.co/about

Daily Nous (Informações diariamente atualizadas sobre a “profissão filósofo”) http://dailynous.com/about/

The Deviant Philosopher http://thedeviantphilosopher.org/about/WhatIsDeviantPhilosophy

Merlí (Seriado catalão cujo personagem principal é um professor de Filosofia em escola pública de Barcelona) https://www.netflix.com/title/80134797

Outros revérberos

Há poucos dias soube, com intenso sentimento de júbilo e por intermédio da colega Carmelita Britto (Departamento de Filosofia da UFG), que o núcleo que coordena os estágios do curso de licenciatura propôs, juntamente com estudantes da disciplina de Estágio III, um Seminário de Estudos sobre os textos dos estudantes de Seminário de Ensino em Filosofia que publiquei aqui no blog. Abaixo, o cartaz do evento.

 

Diálogos com a escola: experiências em formação continuada em filosofia na UFRGS

“Pode-se dizer, de um modo geral, que a organização em dois volumes destes Diálogos marca o início de uma nova etapa das relações entre a Universidade e a Escola no que diz respeito ao cativante tema ‘Ensino de filosofia’. A especificidade de tais relações aparece já no título mesmo da iniciativa que resultou na presente publicação, qual seja, o Curso de Formação Continuada para Professores de Filosofia do Ensino Médio do Rio Grande do Sul – promovido pelo Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nas dependências da mesma, entre os meses de novembro de 2012 e julho de 2013.

Ora, em se tratando dos primeiros movimentos de um diálogo que se pretende prolífico e duradouro, nada mais razoável do que registrar o modo como ocorreram as aproximações entre as duas esferas educacionais – Universidade e Escola. O registro é, portanto, duplo: no primeiro volume, publicam-se os textos relativos às aulas ministradas por professores universitários, secundaristas e bolsistas de pós-graduação em filosofia para os professores do Ensino Médio gaúcho nos primeiros meses da formação. Já no segundo volume, publicamos alguns planos de aula dos professores em formação continuada – planos que permitem a observação da multiplicidade de perspectivas filosóficas que se pretendeu fornecer aos docentes do nível médio, objetivando o elenco das mais variadas possibilidades de abordagem didático-filosóficas – e que correspondem às atividades realizadas nos meses finais da formação.

É certo que se poderia objetar à estratégia escolhida, uma vez reconhecido o fato de que boa parte dos docentes que procuraram o Cursonão possui formação específica em Filosofia – e que, portanto, apresentar tantas visões distintas poderia obscurecer os resultados desta iniciativa formacional. Parece-me, pelo contrário, que uma tal objeção não leva em conta justamente o fato de que a filosofia se faz de vários modos, e a busca por diretrizes didáticas precisas – donde a importância de considerações de ordem metodológica ou instrumental – não pode iniciar sem o reconhecimento, como de um marco zero, desse fato.

Assim, ao percorrer as páginas destes dois volumes, o leitor deve lembrar que se trata, como se disse, do registro dos primeiros movimentos institucionais de diálogo entre o Departamento de Filosofia da UFRGS e os professores de Filosofia das Escolas do nível médio gaúcho e, por outro lado, embora talvez mais implicitamente, que esses registros servem como uma espécie de chamado para que os interessados no ensino de Filosofia venham a contribuir nas edições futuras e desejáveis de mais Cursos de Formação Continuada como o que resultou nestes volumes.

Que a plurivocidade de perspectivas reunidas aqui possa, portanto, incitar melhoramentos em nossas conversas sobre Ensino de Filosofia e que possamos cada vez mais e de modo mais filosófico refletir sobre nossas práticas docentes levando em conta o saudável intercâmbio das experiências de Universidade e Escola – é o desejo dos organizadores, gratos, vale dizer, pela valorosa participação dos docentes nesse movimento de aproximação do qual certamente temos muito o que aprender.”

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Este foi o brevíssimo prefácio que escrevi para o resultado do Curso de Formação Continuada em Filosofia para professores do Ensino Médio no Rio Grande do Sul, realizado entre 2012 e 2013 sob a coordenação da professora Priscilla Tesch Spinelli, colega do Departamento de Filosofia da UFRGS. O curso é uma das parcelas do FORPROF UFRGS, que por sua vez faz parte do Plano Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica do Ministério da Educação, o PARFOR.

Acompanhar os movimentos finais do curso, a convite da então nova colega (minha chegada na UFRGS ocorrera em junho de 2013), foi minha primeira atividade na nova casa. Os encontros aconteciam aos sábados pela manhã e quando comecei a frequenta-los já haviam ocorrido todas as aulas com professores e pós-graduandos, tanto do Departamento de Filosofia da UFRSG quanto de instituições externas a UFRGS, oferecidas aos professores em formação. Trava-se, então, de uma série de apresentações destes professores, relatando suas experiências docentes e mostrando a montagem de planos de aula baseados nas aulas/palestras realizadas nos meses anteriores.

Foi uma ótima experiência conhecer estes professores, boa parte dos quais sem formação específica em Filosofia, e saber um pouco mais das delícias e dificuldades que experimentam no cotidiano das escolas.

Outra oportunidade que tive ao ingressar, ainda que informalmente, na equipe de trabalho do Curso, foi a de editoração dos trabalhos que acabam de ser publicados nos dois volumes de Diálogos com a escola: experiências em formação continuada em filosofia na UFRGS.

O primeiro volume contem os textos escritos pelos professores formadores:

 O lugar da filosofia no currículo escolar – Ronai Pires da Rocha

 Ensinar a filosofar – Desidério Murcho

Metafilosofia e ensino de filosofia – Leonardo Sartori Porto

Lições de Lógica para Análise de Inferências – Manuel Bauer Estivalet e Mitieli Seixas da Silva

Metafísica e Ciência – Mitieli Seixas da Silva e Sílvia Altmann

Conhecimento e Justificação Epistêmica em sala de aula – Giovanni Rolla, José Leonardo Annunziato Ruivo e Rafael da Silva Holsback

Ética: perspectivas sobre o seu ensino – Fábio Gai Pereira

Filosofia Política e Direitos Humanos – Nikolay Steffens e Alfredo Storck

Cinema e Filosofia: Por quê? Como? Onde? – Jônadas Techio

Filosofia e ficção: uma proposta pedagógica – José Eduardo Porcher

O segundo volume contem os planos de aula de alguns dos professores em formação:

Para que “serve” a filosofia? – Patrícia Trindade de Angelis

Lógica e Metafísica: uma introdução à argumentação – Juliana Paiva Soares

A Lógica na argumentação – Antônio Carlos Silveira dos Santos

Heliocentrismo X Geocentrismo: Paradigmas e Revoluções Científicas – Letícia Morales Brum

O Problema da Indução – Paulo Ricardo Kobielski

Determinismo e livre arbítrio – Thiago Delaíde da Silva

Utilitarismo em Ética – Michele Santos da Silva

Ética do Meio Ambiente – Marina Aparecida Madeira

A violência na escola e a ética: uma abordagem psicodramática – Ildo Ronan Vilarinho Júnior

Quais os critérios da ação correta? – Melissa Mayer Ferraz

Argumentação em Ética – Simone Maria Galli Primieri

Juízo de fato e de valor, subjetivismo e objetivismo – Rogério Sidnei Martins

Política e Cidadania – Ernesto Alba

A importância da participação política – Marcos Vinicius da Silva Goulart

Contratualismo Político – Débora Perroni Cassanego

 Esperamos que os textos e planos aqui publicados sejam para bom proveito de todos os interessados em questões de ensino de filosofia.