Links, livros, eventos

Mais uma postagem com links para livros, eventos e notícias.

Começo por uma das piores, que foi a decisão do Supremo Tribunal Federal (tomada ontem, 27/09/2017) de permitir o ensino religioso confessional em escolas públicas brasileiras. (Para quem acha que, por ser facultativo o ensino religioso, nossas crianças estarão de algum modo protegidas dos perigos que esta decisão envolve, só posso dizer que abra os olhos para a atmosfera odiosa e intolerante que vem de adensando por todos os lados – incluindo-se projetos perigosos de perseguição a professores nas escolas -, e pense que os recursos públicos limitados pela “PEC dos gastos” só farão piorar as coisas em todas as frentes de proteção social, nas “reformas do ensino” que estão sendo impostas pelos usurpadores. Ver o copo meio cheio nessas horas é muito otimismo.)

Falando em reformas, aqui se pode acessar o livro de Anais do I Encontro Internacional da Rede Escola Pública e Universidade, Reformas de ensino e movimentos de resistência: Diálogos entre Brasil e América Latina, realizado no Brasil em maio deste ano.

Sobre a reforma, andei lendo que a ministra da educação declarou que a BNCC do Médio será dividida em áreas, não disciplinas. (Uma avaliação da “reforma”, que enfatiza somente a necessidade de esforço por parte dos estudantes e nada diz sobre a perversidade envolvida neste processo pode ser escutada aqui.) O documento está previsto para novembro, mas já ouvi dizer/li em algum link que se perdeu que pensam em transferir sua data de entrega ao Conselho Nacional de Educação em abril de 2018. Enquanto isso, as licenciaturas aguardam notícias sobre as reformulações de seus currículos, que era para estar amarrada à base e o PIBID, pelo que se tem dito, sofrerá modificações.

Sobre a BNCC para o ensino fundamental, e sua desarticulação com o Plano Nacional de Educação (PNE), a Comissão Permanente de Formação de Professores da Universidade Estadual de Campinas (CPFP/Unicamp) se manifestou em uma nota, acessível aqui.

Um adendo à postagem original: vem do blog Avaliação Educacional a notícia de que “O PL 4486/2016 que altera o Plano Nacional de Educação – PNE, visando que a Base Nacional Comum Curricular – BNCC, mediante proposta do Poder Executivo, seja aprovada pelo Congresso Nacional teve solicitação de regime de urgência.”

O intento é dar força de lei ao documento da BNCC,  ou seja, um teor impositivo distinto daquele que tem se somente é aprovado pelo Conselho Nacional de Educação. A tramitação do PL pode ser acompanhada no site do Congresso Nacional. O inteiro teor da proposta, aqui. Se você não entendeu, entenda: a definição final dos mínimos curriculares comuns (se trata de uma BASE), dos direitos de aprendizagem de nossas crianças e jovens, será de responsabilidade deste congresso, e não do CNE. A única consideração em contrário foi pela deputada Professor Rosinha Seabra Resende (DEM-TO).

Em dezembro ocorrerá na Unicamp o evento Inovações em Atividades Curriculares.

Na UFRGS, hoje ocorre mais uma mesa do ciclo de debates Garantia do Direito à Educação: monitorando o Plano Nacional de Educação (Lei nº 13.005/2014), e Fernando Haddad estará no mesmo auditório à tarde para falar do tema.

Sexta-feira, dia 29/09, a PUCRS receberá o professor Ronai Rocha para uma palestra sobre o Quando ninguém educa:

 

Termino este pupurri contando que o ontem o livro foi tema de uma mesa redonda no Departamento de Filosofia da casa do autor, a UFSM. Foi uma tarde riquíssima, com sala lotada, bons debates e muito aprendizado. (Os slides que preparei para minha intervenção podem ser acessados aqui, em formato .pdf) O Prof. Ronai – que já esteve na PUC-Rio discutindo o livro a convite do colega Edgar Lyra – está estudando MUITO Paulo Freire, suas leituras e seus contextos, e respondendo a todos os questionamentos com a vivacidade típica de seu exercício do ofício.

E para quem acha que não era hora de questionar o patrono da educação nacional – ainda mais quando se tenta destroná-lo – a resposta à la Freud, que o Prof. Ronai disse que em breve publica, vai por aqui: não recalquemos o reconhecimento de elementos problemáticos na obra de tão importante pedagogo, sob pena de que o retorno deste recalque nos seja mais nocivo do que os incômodos envolvidos na tarefa – afinal, a nossa – de crítica, e auto, constante.

Para evitar dogmatismos de toda sorte, que outro remédio há?

 

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Quando ninguém educa – questionando Paulo Freire

Está disponível para pré-venda o novo livro do Professor Ronai Rocha, o Quando ninguém educasubintitulado questionando Paulo Freire. 

(Informação prática: professores recebem 20% de desconto no site da Editora Contexto.)

Acompanhei a confecção deste livro desde que era ideia ainda, passando por quando tinha outro título, acho que a partir de fins de 2015, até chegar à última versão e a notícia da impactante capa. Estávamos, em 2015, em meio ao processo de crítica à primeira versão da BNCC, quando – como conta Ronai na Introdução, que pode ser acessada aqui – uma importante associação nacional de educação cometeu uma dura crítica à empreitada mesma de construção de uma Base Curricular mínima para a escola brasileira.

Conforme fui lendo as diferentes versões do texto neste último par de anos – sempre contente pela confiança do maestro em minha capacidade leitora – não só aprendi muito sobre crítica, epistemologia, pedagogia, história das ideias, sobre a universidade brasileira, sobre Paulo Freire (seus contextos e sectos, seus textos e ideias), mas sobre como acertar a letra e o passo de um texto que, por sua natureza, estilo e substância, já se sabia desde sempre que causaria as mais diversas reações. Estou segura de que a variedade delas incluirá muitos “não li e não gostei”, algumas leituras oportunistas e outras tantas dedicadas e justas.

A lida cotidiana é bastante e intensa por estes dias, mas já está prometida uma resenha do livro para meados de agosto, quando espero poder visitar Santa Maria para o lançamento.

Até lá, deixo o convite para que o livro seja lido por todos os interessados em educação em nosso país, segundo os mesmos rigor, acurácia e arrojo com os quais foi escrito – ainda que, quase que de modo inescapável, gere sentimentos conflitantes, do mesmo modo como foi escrito.

Em tempos de ruptura e reorganização de forças sociais, políticas e também acadêmicas, como os que estamos vivendo, este livro nos oferece a perspectiva de sacudir certas poeiras (seria melhor dize-lo: movimentar certas placas tectônicas?) que há muito nos impedem de ver melhor onde estamos, como aqui chegamos, bem como por onde e por que seguir.

Em tempo, a editora apresentou o livro assim (o grifo da frase final é meu):

A crise na educação brasileira é inegável. A baixa qualidade das aprendizagens, a estagnação do desempenho escolar nos testes padronizados, a pouca relevância do aumento dos anos de estudo na vida do aluno, a crescente evasão escolar em todos os níveis, o aumento da distorção idade-série e tantos outros problemas são evidências disso. Mas onde se localizam as raízes teóricas da atual crise educacional que vivemos? Neste livro, o professor Ronai Rocha se dedica a desvendar e a compreender o pensamento teórico dominante no cenário educacional e pedagógico brasileiro. O autor realiza um movimento esclarecedor sobre as raízes da reflexão sobre educação no país, que incidem até hoje na formação de nossos professores. E mostra como uma maneira peculiar de ler Paulo Freire afeta o ensino no Brasil.