Viceja

Ocorre daqui a alguns dias na UFRGS o IV Workshop de Filosofia e Ensino. Dadas as atuais circunstâncias brasileiras, nas quais se ameaça tanto, inclusa a vida de nossa atividade como disciplina obrigatória nas escolas – e mesmo a realização plenamente adequada de eventos como este, dada a escassez de recursos – o tema deste ano é “Qual Filosofia? Qual Ensino Médio?”.

No ano que vem completam-se 10 anos de nossa inserção como disciplina obrigatória nos currículos do ensino médio brasileiro, e nesta década muitas coisas importantes foram feitas para discutir e aprimorar o ensino de filosofia no Brasil – fortalecimento do GT da ANPOF Filosofar e Ensinar a Filosofar (que este ano realiza a quarta edição de seu encontro), desenvolvimento das Olimpíadas de Filosofia em diversos estados, criação da ANPOF/Ensino Médio, criação do PROF-Filo, realização de diversas atividades e encontros relacionados aos PIBID Filosofia (acaba de ocorrer o III Encontro, em Natal). Isso sem falar nos frutos da árvore editorial, e os da preparação para exames de ingresso etc..

O evento da UFRGS, cuja programação completa pode ser acessada aqui, é uma tentativa de mostrar a importância de conversas sobre nós, professores de filosofia, e nossas relações curriculares na e com a escola.

 

UFRGS/Campus do Vale – Porto Alegre/Brasil

Interdisciplinaridade e transversalidade no currículo do ensino médio

Quando tive a ideia de criar este blog era quase inevitável que sua primeira postagem fizesse alguma referência ao trabalho do professor a quem devo mais do que posso reconhecer em termos de inspiração nessa jornada que é a dedicação aos assuntos relativos ao ensino de filosofia na escola – embora fosse também tentador iniciar recordando os primeiros passos dessa caminhada, referindo ao meu iniciático amor pela primeira escola, ou ainda à minha professora de Química no Ensino Médio, Sandra Viott, que foi quem me emprestou o primeiro livro “de filosofia” que li na vida.

Fez-se inevitável, depois que, na primeira sexta-feira de abril de 2014, recebemos o professor Ronai Pires da Rocha na sala 101 da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul para proferir a palestra que marcou simbolicamente o início das atividades do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) dessa universidade, Inter, trans e outros gêneros curriculares”.

O professor Ronai tem dedicado os últimos trinta anos às atividades de pesquisa e docência com especial cuidado aos procedimentos didáticos adequados a cada nível de ensino. De modo bastante fecundo, tem pensado não somente acerca dos papéis próprios da filosofia no currículo escolar mas também, e mais ultimamente, em modos felizes pelos quais se pode pensar e praticar as tão propaladas ideias de interdisciplinaridade e transversalidade na escola média brasileira. Para mim, Ronai sempre foi um excelente professor, providente tutor e, mais tarde, colega, sendo hoje em dia o autor a quem remeto imediatamente quando se trata de sugerir alguma leitura básica para meus alunos de Introdução ao estágio em filosofia, isso sem contar a talvez dispensável referência a ele como mestre, tão simplesmente.

Assim, não deixa ele de ser a principal fonte de inspiração teórica do novo subprojeto do PIBID UFRGS, que conta com bolsistas de cinco licenciaturas distintas, bem como com  as professoras coordenadoras desses mesmos PIBID (Biologia, Física, Filosofia, Letras e Química) e trabalha, sob a supervisão de dois professores (um de Filosofia, outra de Geografia) em duas escolas da cidade de Porto Alegre (o Colégio de Aplicação da UFRGS e a Escola Estadual Senador Ernesto Dornelles).

A palestra, proferida no final de um belo dia de outono em Porto Alegre, foi assistida atentamente tanto por bolsistas de iniciação à docência do PIBID UFRGS quanto por professores supervisores e coordenadores de diferentes PIBID, incluso exteriores à UFRGS.

Inter, trans

Neste link é possível acessar um arquivo em formato PDF, gentilmente cedido por Ronai, no qual constam os slides dos recursos textuais e visuais utilizado em sua apresentação. Ele também mantém um blog no qual divulga algumas de suas ideias acerca de ensino de filosofia e questões de transversalidade pedestre – essa modalidade forjada no interior de seu livro para dar conta do tipo de relação que melhor fundamenta práticas de interdisciplinaridade.

Pretendo alimentar esse blog com referências e reflexões acerca de meus projetos para práticas de ensino de filosofia, principalmente apontando para a dimensão naturalmente interdisciplinar da filosofia na escola – sobre o que, a partir das ideias de Ronai, mas em constante diálogo com meus alunos e colegas, voltarei a falar em breve ocasião.