Preparação, links

Informei no último post sobre o evento que estamos organizando na tarde da próxima sexta-feira, dia 18 de outubro, no Departamento de Filosofia da UFSM.

Preparando a minha intervenção há alguns dias – selecionando trechos de livros de Rita Segato (a segunda edição), Naomi Scheman, Heloísa Buarque de Holanda, Joice Berth, e trechos de artigos de Carolina Araújo, Ana Miriam Wuensch, dentre outras – me ocorreu coletar as “notícias da (minha) semana”: as que chegaram via redes sociais (não as da Bolha Azul, onde não mais me desgasto), blogs e sites que sigo e visito. A ordem é cronológica, conforme fui lendo e salvando nos favoritos:

Uma coluna de opinião no NYT, escrita por Ruth Whippman, sobre razões para mulheres deixarmos de forçar comportamentos “mascu” e, inversamente, propormos que os homens sejam mais como nós – em ou sob alguns aspectos, claro.

Descobri o GeCo – GenderConsulting for Research Alliances, uma baita iniciativa da Universidade Von Humboldt em Berlim.

Um excelente texto introdutório, no Universa, sobre Angela Davis, “Muito mais que feminista“.

Um texto publicado ainda hoje no Geledés sobre a presença de mulheres nas presidências de empresa no Brasil.

La ciencia también arrastra sus mitos“, texto publicado em 2015 no Mujeres con Ciencia, discutindo a centralidade masculina ao longo da evolução humana.

Um texto publicado na Folha de São Paulo, divulgando uma pesquisa realizada pela Sogesp, no qual um pressuposto incômodo (pra dizer o mínimo) permeia toda a transmissão das informações: o de que as adolescentes engravidam sozinhas!

Não diretamente relacionado ao que pretendo dizer na sexta para abrirmos um diálogo com as demais participantes da mesa, deixo dois links com postagens no Daily Nous: um sobre sobre o potencial dos aplicativos filosóficos (Será que rola desenvolver um app pra conhecer filósofas?) e outro sobre videogames como ferramenta didático-filosófica.

Por fim, mas nada menos importante, finalmente nossa instituição desovou uma campanha pelo fim dos assédios na Universidade.

Lembrando que chantagens ocorrem de múltiplas maneiras e que conversas indesejadas são difíceis de identificar “de cara”. Muitas vezes a gente só se dá conta quando a coisa já está passando dos limites – e os limites, para muitos, são bem largos…
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Filosofias, Gêneros, Transversalidades

O Departamento de Filosofia da UFSM tem uma história interessante, marcada dentre outros detalhes pela baixíssima presença de mulheres em seu quadro docente (eu, que aqui estudei de 2000 a 2006 – licenciatura e mestrado – só tive uma professora, substituta, no último semestre, e algumas professoras de disciplinas de outros cursos. Com destaque para aquela que interpretou o sonho de Freud, a Maravilhosa Marilu).

Na semana que vem (sexta-feira, dia 18 de outubro) faremos – Juliana Misssagia, Mitieli Seixas e eu, as atuais professoras da casa – uma mesa redonda com a ex-colega de Departamento Janyne Satler, agora professora na UFSC. Tanto pra assuntar, filosófica e didaticamente.

Vamos?

 

Porque nosso levante não tem volta.

Que lugar é esse, o da filosofia?

Ocorre nos dias 04 e 05 de novembro, no Departamento de Filosofia da UFSM, o Encontro Regional da Residência Pedagógica em Filosofia, organizado pelos colegas de Mitieli Seixa (UFSM), Priscilla SSpinelli (UFRGS) e Marcio Paulo Cenci (UFN).

Estão abertas das inscrições para comunicações e pôsters, conforme o cartaz abaixo.

Vamos lá?

Mais uma aula de Prática em Filosofia na UFSM

Como contei na postagem da semana passada, esta semana a aula de Prática em Filosofia seria dedicada a um trabalho mais prático, como uma oficina de trabalho.

Mas como ainda era preciso esclarecer alguns pontos conceitualmente importantes – em especial oferecer mais elementos introdutórios da Teoria das Situações Didáticas pensada no contexto do ensino de filosofia, a primeira parte da aula foi dedicada a isso. Não sem antes uma conversa – talvez não tão longa quanto deveria (?) – sobre a atual conjuntura de mobilizações em torno da defesa da educação pública no país.

Em nossa Universidade, dois dias antes, em assembleia unificada, foi deliberado um indicativo de greve por tempo indeterminado a partir do dia 02 de outubro, um tanto a contrapelo das demais instituições de ensino superior brasileiras, que estão se mobilizando-se atos para os dias 02 e 03 de outubro, mas sem necessariamente apontar para a estratégia grevista de sempre. Na conversa com meus estudantes ficou claro que as tensões e abordagens são de níveis distintos nas diferentes categorias, e a partir dessa conversa (e de outras, com alguns colegas), organizamos uma Reunião Geral da Filosofia, a ocorrer amanhã, para nos entendermos melhor sobre nossas posturas de pensamento e ação diante do perigo que se vê na esquina.

O enlace dessa conversa com os temas da aula não foi difícil de realizar, na medida em que um dos pontos tematizados foi o seguinte: como as filósofas e filósofos podem, enquanto filósofas e filósofos, contribuir em atos de natureza estritamente política como as mobilizações que estão sendo construídas? Como podemos, se é que podemos, como estudantes e professores de filosofia, participar da defesa da educação pública no país sem deixar de lado nossos mais característicos traços existenciais? E como fica isso tudo em contextos de sala de aula?

Essas perguntas, por sua vez, possibilitaram a sequência da introdução à Teoria das Situações Didáticas, para o que me utilizei parcialmente do capítulo cinco de Ensino de filosofia e currículo (“A Teoria dos Campos Conceituais e a Didática da Filosofia”) e o capítulo sete dos Elementos de Didática da Matemática (“O triângulo: professor, aluno, saber. Transposição didática. Teoria das Situações Didáticas”). Para pensar na aplicabilidade de elementos da teoria ao contexto de ensino de filosofia vali-me também da ideia de contextos da escola tal como apresentada nesses slides da palestra que o Prof. Rocha proferiu no FORPROF Filosofia UFRGS e registrada em texto no primeiro capítulo do primeiro volume dos Diálogos com a escola: experiências em formação continuada em Filosofia na UFRGS.

Para dar exemplos de aplicação dessas ideias na prática de aulas de filosofia, contei aos estudantes a experiência do Matheus Penafiel com Literatura, Lógica, Filosofia, Amor, Amizad e Platão, que começa a ser relatada nesse post de seu blog (já devo ter recomendado, mas faço de novo: visitem os relatos de aula de Penafiel, são agradáveis de ler e muito inspiradores).

Na segunda parte da aula disponibilizei aos estudantes diversos materiais, didáticos e paradidáticos, de filosofia e de outras áreas, algumas cópias da atual BNCC do Ensino Médio, o Referencial Curricular de Filosofia do RS, a apostila de lógica e argumentação que Nastassja Pugliese confeccionou para o WFE de 2014, excertos da introdução do livro de Perrenoud sobre as competências para ensinar, e participei de seu brainstorming para a confecção dos desenhos iniciais dos planos de sequências didáticas.

É que trabalho final do curso será um dossiê contendo a apresentação de uma sequência de 4 a 6 aulas de filosofia para o ensino médio, com amarrações interdisciplinares, levando em conta o arcabouço teórico que estamos discutindo sobre os temas, as expectativas e experiências de cada um como professores (pelo menos três alunos da turma de oito lecionam em pré-vestibulares populares da cidade): planos de sequência plus arrazoado teórico, portanto, que serão discutidos com a turma em seminários a partir do dia 10 de outubro – e para os quais também forneci, via Moodle do curso, exemplos de trabalhos de ex-alunos da UFRGS. Pelo que conversei individualmente como cada estudante, coisas muito boas serão propostas, amarrando: filosofia e esportes (temas de ética), filosofia e artes (temas de estética), filosofia biologia (temas de fenomenologia e ética, também de ética aplicada), filosofia e história, geografia e sociologia (temas de filosofia política, ética, filosofia da religião).

Esta semana será cheia em nosso Departamento:

  • como contei, amanhã temos a reunião geral, logo depois da segunda etapa do Workshop de Ensino de Filosofia, sobre Democracia e Participação – uma promoção da Residência Pedagógica da UFSM, projeto coordenado pela colega Mitieli Seixas;
  • quarta, dia 02, temos uma roda de conversa com as mulheres (professoras e estudantes) para juntas enfrentarmos a hidra da misoginia (nas palavras de Katarina Peixoto);
  • quarta e quinta são dias de mobilização;
  • e sexta ainda tem uma palestra do Professor Marcos Silva sobre a normatividade da lógica nas empreitadas revisionistas, desde uma perspectiva pragmática.

FAF 1026 – Prática em Filosofia

Inicialmente esta seria uma postagem destinada somente aos alunos matriculados na disciplina FAF 1026 – Prática em Filosofia, que estou lecionando no curso de Licenciatura em Filosofia da UFSM neste segundo semestre de 2019. Quando terminei a lista de notícias e outros links relevantes que vou mostrar aos estudantes amanhã, pensei que talvez ela pudesse interessar a outras nove pessoas, e servir para não deixar este blog tão esquecido quando anda.

Esta é a segunda vez que leciono o curso de Prática em Filosofia. A primeira foi em 2007, quando era professora substituta no meu atual Departamento. Aquela foi a primeira vez que alguém diferente do Prof. Ronai estava assumindo esta disciplina – que se situa no sétimo semestre do nosso atual currículo (ou seja a versão de 2004, em vias de ser modificado). Aliás, para quem quiser se informar sobre a história das reformas curriculares do nosso curso, o Prof. Ronai, que nele lecionou por 44 anos, escreveu um belo exercício de memória, que se pode ler aqui.

Conforme a ementa, os objetivos da disciplina de Prática em Filosofia consistem em “Identificar elementos de natureza filosófica presentes em diversos contextos teóricos e culturais, bem como elaborar e avaliar problemas e respostas filosóficas, contextualizadas no universo de referência da Filosofia.”

(O programa do curso para 2019/2 pode ser acessado aqui.)

A postagem que eu pensava em fazer no Moodle da turma se situa no seguinte contexto: estamos na sétima semana letiva do semestre, trabalhando tópicos de introdução à didática da filosofia por meio da leitura e da discussão de alguns textos (“As funções de um professor”, de B. Russell – na tradução da Prof.Olga Pombo; “A didática na disciplina de filosofia””, do Prof. Rocha, bem como os capítulos 1, 2, 4 e 7 de Ensino de filosofia e currículo e “Epistemologia da interdisciplinaridade”, da Prof.Pombo).

Na aula passada, após alguns comentários finais sobre o texto de Russell (em especial quanto ao tópico da neutralidade partidária em sala de aula que nosso ofício exige, para o que sugeri como leitura complementar esse texto), explorei com a turma algumas das principais ideias constantes no artigo do Prof. Ronai:

  • o paralelo entre o planejamento e a execução de uma aula de filosofia e a escrita de um roteiro e da montagem de um filme;
  • a ideia de que uma boa aula de filosofia é, em realidade “três aulas dentro de uma” (uma focada nos conceitos e problemas relacionados ao mundo vivido; outra focada no instrumental necessário para abordar esses conceitos e problemas e outra direcionadas para o arcabouço histórico ou textual da filosofia);
  • bem como as similaridades e diferenças dessa ideia com a metodologia de ensino de filosofia proposta por Sílvio Gallo em seus quatro passos.

Vale destacar que, como tarefa , os estudantes haviam realizado um trabalho dissertativo de reconstrução dos argumentos e comparação entre as abordagens de Russell e Rocha. A leitura desses pequenos exercícios dissertativos me levou a fazer escolhas didáticas específicas para a aula em questão.

Na segunda parte da aula, optei por mostrar a aplicabilidade da sugestão do Prof. Ronai através de exemplos de práticas didáticas nas quais o papel articulador da lógica como instrumento de prática filosófica é fulcral. Também como uma forma de prestar contas da minha ausência na semana anterior, apresentei o trabalho que expus na na Universidade Nacional do Litoral (Santa Fe, Argentina) no dia 04 de setembro. Trata-se de uma versão melhorada da apresentação que fiz em Paderborn, na Libori Summer School – Teaching Women Philosophers, e nas quais se condensam trabalhos em andamento com minha colega e amiga Nastassja Pugliese, professora na Faculdade de Educação da UFRJ.

Em dois tempos: o trabalho consiste em argumentar em favor do ensino de lógica como ferramenta de empoderamento intelectual dos estudantes – tanto individual com coletivamente – na medida em que as propriedades formais da lógica permitem a exploração de temáticas mui variadas, e em especial de interesse dos adolescentes, tais como as relações de gênero e poder, tema feminista por excelência.

A lógica em sentido amplo é o que utilizamos
“cuando razonamos, asimilamos o procesamos la información que recibimos del entorno, cualquier tipo de información.
(Somos lógicos porque somos seres humanos.)”
(Manzano & Huertas 2004)

De outra parte, ao apresentar exemplos concretos em favor de nossa tese, também mostramos como uma certa perspectiva feminista sobre a lógica, apesar de problemática do ponto de vista histórico-metodológico, acaba por fornecer ainda mais água pro moinho da didática mínima da lógica, pois a crítica daquela abordagem nos permite mostrar como aprender lógica (em sentido amplo e um sentido estrito) é um requisito indispensável para que discutamos com mais propriedade as questões relacionadas à reconstrução do cânone filosófico desde perspectivas historicamente desfavorecidas, obnubiladas, silenciadas, como as perspectivas das mulheres ou quaisquer grupos étnicos ou sociais considerados “não-ocidentais”.

O estrito caroço dessa segunda parte da aula consistiu menos na discussão da posição de Nye contra a lógica e mais na apresentação dos detalhes de dois exemplos de práticas didáticas que ocorreram na licenciatura da UFRGS, vivenciadas por três alunas. Estas experiências podem ser conhecidas por meio do texto que Márcia Laux e Rafaela Nunes publicaram no livro Lógica, argumenteción y pensamiento crítico. Alcances, relaciones y aplicaciones. (O texto pode ser baixado aqui), e do Trabalho de Conclusão de Curso de Bruna Dietrich, acessível aqui. São duas experiências de ensino de lógica envolvendo o que Nastassja e eu estamos provisoriamente chamando de “semântica feminista”.

“As três aulas dentro de uma”

Na aula de amanhã nós vamos aprofundar um pouco mais a discussão sobre a transversalidade dos conceitos filosóficos e as potenciais interações da filosofia e seus eixos com as demais disciplinas escolares, com exemplos de práticas realizadas no PIBID Interdisciplinar UFRGS Campus do Vale.

Mas bem, e a tal lista de links?

Ela foi pensada simplesmente como um apanhado de notícias e informações a serem levadas em conta não tanto na aula de amanhã, mas na aula do dia 26 de setembro, quando realizaremos uma oficina sobre planejamento de aulas de filosofia em suas interfaces disciplinares (no contexto do Ensino Médio).

Abaixo, os links que podes servir para a oficina de Prática em Filosofia (e para algum leitor do blog):

Um bom e velho (atual) tema filosófico retomado em texto publicado na Folha de São Paulono dia 11 de agosto ‘Equiparar ciência a opinião atende a interesses e destrói conhecimento‘ (Ah, o Mênon…)

Um texto sobre a importância da ciência para a construção de políticas públicas, no Nexo.

Uma lista de cinco livros indispensáveis para quem se interessa por feminismo hoje no Brasil, recomendados pela filósofa Carla Rodrigues, também no Nexo.

Um exercício de reconstrução da linha filosófica do tempo (histórico) com mulheres, no blog da Oxford University Press.

Uma postagem no Philosophers Coccon sobre novas práticas de ensino de filosofia.

Um texto (meio óbvio?) publicado na The Philosophers Magazine, “Doing Philosophy as Teaching Philosophy

Outro link para a FSP, desta vez explicando as razões para a comemoração dos cem anos da Tabela Periódica dos Elementos em 2019.

Um texto publicado no site da BBC Brasil sobre a fascinante Fita de Möbius.

Sobre o choque e o horror (!) quanto tempo passamos em nossos telefones diariamente, no Guardian.

Uma introdução à Africana Philosophy, no History Philosophy Without any Gaps.

Pensar Nagô, (que também e título do livro) de Muniz Sodré.

4 em cada 10 jovens negros não terminaram o ensino médio– Publicado na FSP em 01 de setembro.

Enquanto isso, na Irlanda.

Livro Interações de gênero nas salas de aula da Faculdade de Direito da USP: um currículo oculto?– UNESCO Digital Library.

“Cómo alentar a las niñas a estudiar carreras científicas y matemáticas: 7 estrategias”, no Mujeres con Ciencia (Como seria o mesmo para a Filosofia?)

Uma notícia sobre a impossibilidade de implantar a BNCC devido ao corte de recursos.

Por fim, acabo de receber de um colega antenado no Escola sem Partido, e vale noticiar, que (agora ex-) procuradora geral da República Raquel Dodge formulou uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, com pedido de medida cautelar Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, com pedido de medida cautelar contra o troço.

Um encerramento

Este blog anda pouco alimentado, e não é por falta de notícia ou ideia a ser compartilhada, senão especialmente por falta de baralhamento da autora.

Já não sou mais professora do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul desde meados de junho de 2018. Acabo, aliás, de submeter o relatório final da pesquisa que realizei nos últimos quatro anos sob o título Perspectivas Didático-Filosóficas. Deixo este relatório aqui, a modo de registro público das principais atividades realizadas sob o guarda-chuva que o projeto foi, pois para realizar boa parte das atividades relatadas recebi apoio em forma de recursos públicos tanto por parte da Propesq UFRGS quanto por parte de autarquias federais – em especial da CAPES e do CNPq.

Agradeço imensamente a todos os estudantes, colegas e amigos que compartilharam e construíram ideias e ações em prol do ensino de filosofia neste período e desejo que possamos seguir a caminhada.

Agora, quando atuo em minha casa da alma, a Universidade Federal de Santa Maria, me encontrando ainda na readaptação ao “novo” ambiente de trabalho, há muitos projetos novos, alguns mais outros menos amarrados com os antigos, sobre os quais pretendo contar proximamente.

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Quem sabe convidando mais gente para escrever aqui não se areja melhor o espaço?

Nova política de formação docente do MEC, e um edital

Na efeméride “Dia do Professor” o ministro Mendonça Filho havia anunciado que em alguns dias o MEC lançaria uma nova política de formação docente, o Programa Nacional de Residência Pedagógica. Ele também diz, no vídeo, outras coisas que se não são propriamente falsas, são ao menos altamente contestáveis.

Ontem, dia 18 de outubro o MEC apresentou a Política Nacional de Formação de Professores com Residência Pedagógica.

Como eu havia antecipado ao final desta postagem, a existência do Programa de Residência Pedagógica interferirá na existência do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, o querido PIBID – possivelmente “modernizando” o atual formato do Programa. Ainda não se tem detalhes sobre como esta transformação ocorrerá, nem sobre a Base Nacional Docente – que, imagino, deve estabelecer mínimos curriculares comuns para todos os cursos de licenciatura – mas é certo que já muitos de nós demonizam todas e cada uma das partes da iniciativa, por ter sido proposta pelo atual governo, cujas políticas (esta, por exemplo) não foram aprovadas pelo voto popular.

Há, certamente, muitos problemas que precisam ser discutidos e enfrentados. Para tal, entretanto, não me parece produtivo “dar murro em ponta de faca”, como se diz no interior do Rio Grande do Sul, insistindo em chorar pelas pedagogias derramadas sem um pingo de autocrítica sobre como os projetos (PIBID, mas não apenas) estavam sendo levados a cabo em cada IES. (Há muitos lugares em que as bolsas PIBID são meras ajudas de custo para universitários que não têm interesse em lecionar – nem os projetos conseguem despertar neles este interesse -, há muitos lugares em que não há qualquer avaliação adequada dos trabalhos realizados, e há muitas instituições que estão preocupadas em derivar da execução de seus PIBID publicações para a engorda de Lattes, e não para auxiliar os professores e gestores das escolas públicas a melhorar suas práticas.)

Um problema imediato é o seguinte: como ficam as reformas dos currículos das licenciaturas, realizadas e/ou em andamento, induzidas por esta eesolução do CNE? Devem ser suspensas, esperar pela tal Base Nacional Docente?

Muitos medos surgem, como os que se relevam nas perguntas: O antigo magistério retornará? (Isso é bom ou ruim?) Quais são tais “instituições formadoras” (fundações privadas incluem-se aí)? Seremos, professores das licenciaturas, substituídos por tutores de educação à distância? Sobrecarregados com a orientação de alunos residentes? Trata-se de um modo de baratear custos com salários de professores?

A ver.

Quiçá sem temer?

***

Em outra nota, uma oportunidade: a Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP de Marília abriu edital para seleção de bolsista de Pós-Doc (PNPD). As linhas de pesquisa são as seguintes:

Linha 01 – Psicologia da Educação: Processos Educativos e Desenvolvimento Humano

Estudos e pesquisas sobre ensino-aprendizagem, desenvolvimento humano, vulnerabilidades, processos educativos e de avaliação, formação de educadores e profissionais, nas perspectivas da Psicologia e Epistemologia Genética, da Neuropsicologia, da Psicologia Cognitiva e Comportamental.

Linha 02 – Educação Especial 

A linha desenvolve pesquisas sobre questões que emergem na construção da educação inclusiva capaz de acolher alunato com ampla diversidade, com destaque para as diferenças decorrentes de alterações morfofisiológicas e as de natureza psicossocial e etnocultural. O equacionamento educacional dessas diferenças demanda a construção de fundamentos e conhecimentos, bem como o desenvolvimento de procedimentos e recursos – humanos e materiais – visando à provisão de serviços adequados para todos aqueles que, por meio de recursos convencionais, teriam dificuldades ou impedimentos para ter acesso à educação de qualidade.

Linha 03 – Teoria e Práticas Pedagógicas

Estudos teóricos e análise das práticas pedagógicas relacionadas com as diversas áreas do currículo da educação básica e superior, em especial com a Didática, a Metodologia, a Psicologia, a Linguística e as políticas educacionais no Brasil.

Linha 04 – Políticas Educacionais, Gestão de Sistemas e Organizações, Trabalho e Movimentos Sociais

A linha contempla  estudos e análises das políticas públicas e educacionais do Estado e de outros agentes sociais nos âmbitos nacional e internacional. Analisa teorias e práticas da administração, da avaliação educacional e da gestão, bem como a imbricação entre educação e trabalho,  a educação nos movimentos sociais, relações de gênero, direitos humanos e etnia na escola e em outros setores da sociedade.

Linha 05 – Filosofia e História da Educação no Brasil

A linha desenvolve estudos sobre a educação e o ensino dos pontos de vista filosófico e histórico. Do ponto de vista filosófico, privilegia a abordagem do problema da formação humana e as questões relativas ao ensino, em suas dimensões epistemológicas, éticas, políticas, estéticas e comunicativas. Na abordagem histórica, privilegia investigações sobre as Instituições Escolares, a Formação e a Profissão Docente e o Ensino de Língua e Literatura, inclusive alfabetização e letramento.

 

De crítica e dogma na e sobre a escola

O momento, sabemos, não anda bom para ninguém, não sendo diferente para o Patrono da Educação Brasileira, ameaçado pelo clima odioso do Brasil pós-golpe. Aqui se pode acessar o site onde se encontra o Manifesto em Defesa de Paulo Freire, um contraponto à proposta, que já tramita como sugestão na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, de retirar-lhe o título patronal.

Desde a mesa de debate sobre o Quando ninguém educa – questionando Paulo Freire na UFSM, sobre a qual falei ao final desta postagem, tenho pensado – sobretudo dado o teor das respostas que o Professor Ronai elaborou para as diversas perguntes realizadas, por seis debatedores – que o importante agora é tentar  equilibrar a necessária defesa de Paulo Freire, o educador das massas, o inspirador de tantas autonomias e esperanças, com o necessário burilar das teorias de Paulo Freire, o teórico da educação – para que assim possamos salvar o que merece ser salvo tanto em sua bio quanto em sua bibliografia. E, claro, defende-lo do melhor modo possível.

Certamente não se pode (ao menos tal como entendo a tarefa da filosofia), sob pena de puro dogmatismo, defende-lo sem te-lo lido, nem ser ter conhecimento de sua atuação política em prol da autonomização das classes populares em termos educacionais e, logo, humanos. Mas isso qualquer bom leitor de QNE sabe que não é o caso neste livro (ao contrário de outros, oportunistas, sobre os quais nem me informei direito, mas que sei que circulam pelas redes). Não há como defender a escola, lugar privilegiado de agenciamentos de/entre saber e sentir, colocando para debaixo do tapete, seletivamente, algumas das causas de seu fracasso.

Sem mais delongas, deixo aqui um trecho da estréia do Professor Ronai como autor no blog da Editora Contexto, pela qual foi publicado seu QNE:

A crise segue. Sobram indícios objetivos de nosso zelo para com os estudos de fundamentos da educação e nosso descuido com a formação profissional específica. Em 2009, um estudo publicado pela Fundação Carlos Chagas deu conta de que apenas 28% das disciplinas dos cursos de Pedagogia se referem à formação profissional específica – 20,5% a metodologias e práticas de ensino e 7,5% a conteúdos. (Gatti e Nunes, 2009).

Existem muitos outros aspectos a ser considerados aqui, e que explorei no livro. Deixo então de seguir nessa linha para me concentrar em um ponto central e convergente. Vou dizer isso da forma mais direta e clara possível: contrariamente ao que foi dito e repetido durante muito tempo, a escola simplesmente não é, em primeiro lugar, um espaço de disputa política e ideológica; a escola não é, em primeiro lugar, um espaço de lutas sociais.

É preciso falar sobre o que a escola é em segundo ou terceiro lugar? Por certo. Que a escola seja, em certas condições e sob certo ponto de vista, um lugar de disputas políticas e sociais, quem há de negar? Mas é preciso ficar claro que há uma lamentável confusão (e um gigantesco abismo) entre falar sobre a escola em terceira pessoa e colocar-se na perspectiva da primeira pessoa.

Em terceira pessoa, falamos da escola tentando descrevê-la como um objeto: institucional, social, psicológico, antropológico, político, legal etc. Para isso precisamos de distância e alguma perspectiva teórica. Houve um tempo em que se pensou, nas humanidades, que o continente da história e da sociedade havia finalmente sido descoberto; que, finalmente, uma ciência da história e da sociedade estava ao alcance, que havia um “pensar certo” sobre todas essas coisas, como Paulo Freire deixa claro no derradeiro capítulo da Pedagogia do Oprimido, quando subscreve Que Fazer:  sem teoria revolucionária não pode haver movimento revolucionário. O ditado de Lênin não apenas cria uma assimetria entre o detentor da teoria e seu objeto, mas transforma esse objeto em um “ele”, um tema de discussão distante de nós, que temos a teoria. Essa perspectiva de terceira pessoa, que objetifica o que vê, é necessária e adequada, em muitas circunstâncias, mas não em todas. Frequentemente precisamos descrever um fato, contar o que alguém nos disse, relatar o que lemos em um livro. Nessas horas, o que vale é uma moral intelectual de objetividade; não podemos incluir na descrição o que não vimos, atribuir ao outro coisas que ele não disse, relatar algo que não está no livro. Não há nada de errado com a perspectiva de terceira pessoa. A criança e o professor, no entanto, entram na escola, em primeiro lugar, em primeira pessoa. Essa distinção é fundamental e, a meu juízo, tem sido objeto de um desequilíbrio crescente.

A íntegra do texto pode ser lida aqui.

Alguém para a crítica?

Encontros, chamadas etc..

Esta é semana do Salão UFRGS, na qual também ocorre a Semana Acadêmica de Filosofia, cuja programação pode ser acessada no site do Departamento.

Destaco que a oficina oferecida nesta edição do evento – Argumentar e lutar: lógica,  filosofia e combate à opressão – será ministrada por duas alunas da Licenciatura em Filosofia da UFRGS, com base em uma experiência vivenciada por elas como bolsistas do PIBID Filosofia UFRGS durante o período de ocupações das escolas no ano passado.

Tratou-se uma uma oficina de Feminismo e Lógica (sim, é isso mesmo), que vai ser relatada, e a partir da qual Márcia Laux e Rafaela Nunes proporão reflexões sobre como a experiência pode servir de inspiração para outros trabalhos didático-filosóficos relacionando a aprendizagem da lógica (em sentido amplo, tal como procuro distinguir aqui) com temas de fundamental importância, como as disputas por reconhecimento e lutas contra opressões as mais diversas. As alunas, vale notar, tiveram trabalhos sobre esta experiência aceitos em dois eventos: o IV Encontro do GT da ANPOF Filosofar e Ensinar a Filosofar e o XX Encuentro Internacional de Didáctica de la Lógica. Para quem tem curiosidade sobre o tipo de relação entre lógica e feminismo que está sendo proposto, este link fornece um exemplo os argumentos de Mary Wolstonecraft pelos direitos das mulheres em “A Vindication of the Rights of Woman”.

Varia

Foi publicado o edital de seleção para o Curso de Especialização em Ensino de Filosofia da UFPel. Confira aqui.

A Revista Refilo está recebendo artigos para seu próximo número até o dia 30 de novembro.

O MEC disponibilizou 62 títulos da Coleção Educadores, sobre a qual:

“As obras são dirigidas aos professores da educação básica e às instituições de educação superior que atuam na formação de docentes, mas o acesso é livre no portal. Paulo Freire, Anísio Teixeira, Jean Piaget e Antônio Gramsci, dentre outros, fazem parte da Coleção Educadores. Integram a coleção 31 autores brasileiros, 30 pensadores estrangeiros e um livro com os manifestos Pioneiros da Educação Nova, escrito em 1932, e dos Educadores, de 1959.”

Li uma notícia que me fez pensar em como pode ser nefasta, por superficialidade, a inclusão da Filosofia em processos seletivos, como o ENEM.

Aqui se pode ler uma matéria sobre os movimentos de ocupação nas escolas secundaristas argentinas, contras as reformas lá propostas. Aqui, um texto sobre a reforma do Ensino Médio brasileiro, ou a suposta liberdade que ela possibilitará aos alunos. Aqui um texto em inglês sobre a imaturidade dos jovens para escolher cursos superiores.

Ainda sobre a decisão do STF sobre o ensino religioso nas escolas públicas, seus impactos na organização escolar, leia-se aqui.

A Sociedade Brasileira de Física, elaborou um manifesto acerca das ameaças ao ensino de ciências através de projetos como o ESP – chama-se Manifesto em Favor de um Ensino Pleno sem Restrições de Conhecimento ou Liberdade de Expressão.

Também sobre os perigos do obscurantismo de nossos tempos no ambiente escolar, Eliane Brum escreveu sobre a “Escola sem Pinto”.

Foi publicado um volume especial de Textbooks in Language Sciences, chamado A aquisição de língua materna e não materna: Questões gerais e dados do Português. O material pode ser baixado aqui.

Saiu um livro sobre as famigeradas avaliações/testes em grande escala, de autoria de Daniel Koretz, The Testing Charade – Pretending to Make Schools Better.

Está no ar o primeiro volume do Journal of Didactics of Philosophy, que pode ser baixado no site da revista.

O novo número da revista Philosophy Now é sobre “Socrates, Plato and Modern Life”, e tem artigos muito interessantes sobre a atualidade desses antigos.

Recentemente descobri este Centro de Pesquisas Interdisciplinares que existe na França, no qual há um curso de formação em filosofia prática da educação e da formação.

O currículo deveria ser jogado como um jogo?

O que dizer deste texto sobre “coaching” de novos professores?

Sobre a diminuição do abismo entre ensino formal e informal, aprendizagem baseada em projetos etc., um texto (algo superficial) aqui.

Aqui, uma seleção do jornal The Guardian de textos sobre docência.

Aqui um texto sobre inovações pedagógicas e suas consequências para o ensino superior.

Aqui, um link para o volume 35, n. 3 da Revista Teorema, sobre os debates recentes acerca do que se aprende por meio da ficção.

Saiu um número novo da Revista Docência do Ensino Superior, cujo editorial inicia assim:

“Qual é o papel dos estudantes no processo de ensino-aprendizagem? São eles protagonistas ou apenas receptores de conhecimentos pré-moldados? E qual é o papel dos docentes nesse processo? Cabe a eles apenas a verbalização de conteúdos ou podem ser eles também agentes de inovação, ques onamentos e mudanças? Este número da Revista Docência do Ensino Superior espera favorecer a reflexão sobre essas questões, a começar pela provocação da capa.”

 

 

Links, livros, eventos

Mais uma postagem com links para livros, eventos e notícias.

Começo por uma das piores, que foi a decisão do Supremo Tribunal Federal (tomada ontem, 27/09/2017) de permitir o ensino religioso confessional em escolas públicas brasileiras. (Para quem acha que, por ser facultativo o ensino religioso, nossas crianças estarão de algum modo protegidas dos perigos que esta decisão envolve, só posso dizer que abra os olhos para a atmosfera odiosa e intolerante que vem de adensando por todos os lados – incluindo-se projetos perigosos de perseguição a professores nas escolas -, e pense que os recursos públicos limitados pela “PEC dos gastos” só farão piorar as coisas em todas as frentes de proteção social, nas “reformas do ensino” que estão sendo impostas pelos usurpadores. Ver o copo meio cheio nessas horas é muito otimismo.)

Falando em reformas, aqui se pode acessar o livro de Anais do I Encontro Internacional da Rede Escola Pública e Universidade, Reformas de ensino e movimentos de resistência: Diálogos entre Brasil e América Latina, realizado no Brasil em maio deste ano.

Sobre a reforma, andei lendo que a ministra da educação declarou que a BNCC do Médio será dividida em áreas, não disciplinas. (Uma avaliação da “reforma”, que enfatiza somente a necessidade de esforço por parte dos estudantes e nada diz sobre a perversidade envolvida neste processo pode ser escutada aqui.) O documento está previsto para novembro, mas já ouvi dizer/li em algum link que se perdeu que pensam em transferir sua data de entrega ao Conselho Nacional de Educação em abril de 2018. Enquanto isso, as licenciaturas aguardam notícias sobre as reformulações de seus currículos, que era para estar amarrada à base e o PIBID, pelo que se tem dito, sofrerá modificações.

Sobre a BNCC para o ensino fundamental, e sua desarticulação com o Plano Nacional de Educação (PNE), a Comissão Permanente de Formação de Professores da Universidade Estadual de Campinas (CPFP/Unicamp) se manifestou em uma nota, acessível aqui.

Um adendo à postagem original: vem do blog Avaliação Educacional a notícia de que “O PL 4486/2016 que altera o Plano Nacional de Educação – PNE, visando que a Base Nacional Comum Curricular – BNCC, mediante proposta do Poder Executivo, seja aprovada pelo Congresso Nacional teve solicitação de regime de urgência.”

O intento é dar força de lei ao documento da BNCC,  ou seja, um teor impositivo distinto daquele que tem se somente é aprovado pelo Conselho Nacional de Educação. A tramitação do PL pode ser acompanhada no site do Congresso Nacional. O inteiro teor da proposta, aqui. Se você não entendeu, entenda: a definição final dos mínimos curriculares comuns (se trata de uma BASE), dos direitos de aprendizagem de nossas crianças e jovens, será de responsabilidade deste congresso, e não do CNE. A única consideração em contrário foi pela deputada Professor Rosinha Seabra Resende (DEM-TO).

Em dezembro ocorrerá na Unicamp o evento Inovações em Atividades Curriculares.

Na UFRGS, hoje ocorre mais uma mesa do ciclo de debates Garantia do Direito à Educação: monitorando o Plano Nacional de Educação (Lei nº 13.005/2014), e Fernando Haddad estará no mesmo auditório à tarde para falar do tema.

Sexta-feira, dia 29/09, a PUCRS receberá o professor Ronai Rocha para uma palestra sobre o Quando ninguém educa:

 

Termino este pupurri contando que o ontem o livro foi tema de uma mesa redonda no Departamento de Filosofia da casa do autor, a UFSM. Foi uma tarde riquíssima, com sala lotada, bons debates e muito aprendizado. (Os slides que preparei para minha intervenção podem ser acessados aqui, em formato .pdf) O Prof. Ronai – que já esteve na PUC-Rio discutindo o livro a convite do colega Edgar Lyra – está estudando MUITO Paulo Freire, suas leituras e seus contextos, e respondendo a todos os questionamentos com a vivacidade típica de seu exercício do ofício.

E para quem acha que não era hora de questionar o patrono da educação nacional – ainda mais quando se tenta destroná-lo – a resposta à la Freud, que o Prof. Ronai disse que em breve publica, vai por aqui: não recalquemos o reconhecimento de elementos problemáticos na obra de tão importante pedagogo, sob pena de que o retorno deste recalque nos seja mais nocivo do que os incômodos envolvidos na tarefa – afinal, a nossa – de crítica, e auto, constante.

Para evitar dogmatismos de toda sorte, que outro remédio há?